A montadora chinesa GAC colocou em pré-venda no Brasil o SUV GS3, apostando em um caminho inverso ao da indústria: em vez de elétrico, o modelo chega com motor a combustão. As primeiras entregas estão previstas para as duas últimas semanas de março.
Com sinal de entrada de R$ 4 mil e preço abaixo de R$ 200 mil, o GS3 mira em rivais como Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta — mas traz um trunfo visual pouco explorado por concorrentes chineses: o design de linhas esportivas e angulares.
Design que esconde a origem chinesa
O GS3 aposta em um visual raramente visto nos SUVs chineses: ângulos retos e vincos marcados que remetem à Lamborghini Diablo e ao DMC DeLorean. Na traseira, escapamento com ponteira dupla cromada e difusores reforçam a proposta esportiva — soluções típicas de carros de alta performance.
Quem vê o carro rapidamente pode confundi-lo com modelos europeus como Peugeot, Hyundai ou Renault, sobretudo pela grande tomada de ar frontal. O objetivo da GAC parece claro: distanciar o produto do estereótipo das importadas asiáticas no mercado brasileiro.
Motor único e dimensões competitivas
O GS3 chega com uma única motorização: motor 1.5 turbo de 170 cv, acoplado a câmbio automatizado de dupla embreagem. Entre os SUVs de porte semelhante, perde em potência apenas para o 1.6 turbo do Hyundai Creta na versão mais cara.
Nas dimensões, o SUV supera o Volkswagen T-Cross em 20 centímetros de comprimento e 9 cm de largura, mantendo o mesmo entre-eixos. O tamanho se aproxima mais, na prática, do Volkswagen Taos.
No interior, o painel tem acabamento minimalista — a única pista da origem chinesa. O restante segue lógica ocidental: a central multimídia de 14,6 polegadas é inclinada ao motorista, solução similar à adotada pela Volkswagen. O modelo é vendido em duas versões — Elite e Elite Plus —, que se diferenciam apenas nos itens de série incluídos.
A montadora por trás do GS3
A GAC — Guangzhou Automobile Group Motor — é a quinta maior fabricante de automóveis da China. Fundada em 1955, a empresa desenvolve seus próprios modelos e também fabrica veículos para Honda, Toyota e Mitsubishi no mercado doméstico.
A montadora mantém ainda parceria com a BYD no desenvolvimento e na produção de ônibus para o mercado chinês. Em 2023, a GAC comercializou 2,52 milhões de veículos e emprega atualmente cerca de 110 mil pessoas.
A meta até 2030 é ambiciosa: atingir 4,75 milhões de unidades vendidas e um lucro estimado em US$ 137 bilhões. Para isso, a empresa acelerou sua expansão internacional a partir de 2021 e já está presente no Oriente Médio, Europa, Ásia, África e América Latina — com operações confirmadas no Chile, Bolívia e Panamá. O Brasil foi incorporado ao mapa em 2025.