Política

Mendonça vota para manter Vorcaro preso e classifica grupo como ameaça armada

Fux acompanhou o relator e placar está 2 a 0 pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro na Segunda Turma do STF

O ministro André Mendonça votou nesta sexta-feira (13) pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, em julgamento iniciado no plenário virtual da Segunda Turma do STF.

Em seu voto, Mendonça afirmou que o dono do Banco Master integra uma organização criminosa armada que representa uma “perigosa ameaça” — argumento que convenceu o ministro Luiz Fux, que o acompanhou.

Com os dois votos registrados, o placar está 2 a 0 pela manutenção das prisões.

A organização armada por trás do caso

Ao fundamentar seu voto, Mendonça foi além dos crimes financeiros e apontou para a estrutura de poder que cerca o banqueiro. A chamada “A Turma” é a milícia privada usada para monitorar e intimidar adversários, jornalistas e autoridades — detalhada na decisão original que decretou a prisão de Vorcaro em 4 de março.

A revisão colegiada era aguardada desde o despacho que convocou a Segunda Turma — o mesmo que ordenou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em ativos suspeitos do grupo.

Julgamento com quatro votos válidos

O julgamento ocorre sem o ministro Dias Toffoli, que se declarou suspeito por conexões com Vorcaro. Com apenas quatro votos válidos na turma, um eventual empate favoreceria o banqueiro — o que eleva o peso de cada manifestação.

Mendonça foi o primeiro a se pronunciar, reafirmando sua própria decisão como relator. Fux o acompanhou em seguida, consolidando a vantagem dos que defendem a permanência do banqueiro na prisão.

O julgamento no plenário virtual permanece aberto para os demais votos da Segunda Turma. A decisão final determinará se Vorcaro e seus aliados presos na mesma operação permanecem detidos ou são soltos.

O caso reúne hoje alguns dos elementos mais complexos da pauta do Supremo em 2026: prisão preventiva de um empresário do setor financeiro, bloqueio bilionário de ativos, suspeição de ministro e denúncia de estrutura paramilitar operando em paralelo a um banco.

Além da liberdade do banqueiro, o colegiado terá de se manifestar também sobre o congelamento de até R$ 22 bilhões em ativos — medida igualmente aguardando referendo pelo mesmo grupo de ministros.