O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta quinta-feira (19) a transferência de Daniel Vorcaro da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, no centro da capital.
O banqueiro, dono do Banco Master, estava preso preventivamente desde o início do mês na terceira fase da Operação Compliance Zero. A transferência ocorre um dia após seu advogado informar à PF sobre o interesse em firmar acordo de delação premiada.
Condições diferentes
Na penitenciária federal, Vorcaroficava em cela de 6 metros quadrados com cama, mesa e assento de concreto — sem tomadas elétricas e com rotina rigorosa de isolamento. Na Superintendência da PF, ele ficará em sala de Estado-Maior, o mesmo espaço ocupado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
O local possui cama de solteiro, mesa, cadeira, banheiro privativo, ar-condicionado, televisão, janela, armário e frigobar — condições significativamente mais brandas que as da penitenciária.
Padrão em negociações de delação
A mudança segue tradição observada em investigações anteriores, como a Lava Jato: a transferência de presos que negociam colaboração é usada como “sinal de boa vontade” das autoridades. Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer também ficaram em salas de Estado-Maior da PF quando detidos.
A defesa de Vorcaro se reuniu com Mendonça nesta terça-feira (18) para tratar dos desdobramentos do caso. Os advogados informaram ao ministro que uma das possibilidades avaliadas pelo banqueiro é a delação premiada.
Caso concretize a colaboração, Vorcaro pode trazer novos elementos para as investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master, incluindo suposta infiltração no Banco Central e estrutura de intimação chamada “A Turma”.
O advogado José Luís Oliveira Lima afirmou à Globo que não comenta o caso no momento devido à “sensibilidade” do caso.