Pela primeira vez na série histórica da Quaest, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem numericamente empatados em um eventual segundo turno: 41% cada, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11).
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, o dado confirma a tese de polarização cristalizada a seis meses das eleições de 2026 — e coincide com o pior momento de Lula na série: 56% de rejeição e apenas 44% de aprovação ao governo.
Da vantagem de dez pontos ao empate em três meses
O recuo de Lula no cenário de segundo turno foi gradual e consistente. Em dezembro, ele liderava com dez pontos de diferença. Em janeiro, a vantagem caiu para sete. Em fevereiro, para cinco — com placar de 43% a 38%. Agora, a distância zera.
Nos cenários de primeiro turno, o presidente ainda aparece à frente: sua intenção de voto oscila entre 36% e 39%, enquanto Flávio registra entre 30% e 35%. Ratinho Júnior (PSD) recuou de 13% para 7% no mesmo período. Caiado tem 4%; Leite e Zema, 3% cada.
O avanço de Flávio — de 23% para 33% desde dezembro, um salto de dez pontos — coincide com o momento em que Jair Bolsonaro o anunciou como pré-candidato. “Flávio tem conseguido monopolizar o eleitor bolsonarista, tem crescido no eleitor de direita e melhorado seu desempenho no eleitor independente”, afirma Nunes.
Entre os eleitores que se declaram independentes — 32% do eleitorado —, Flávio supera Lula pela primeira vez: 32% a 27%. Outros 36% desse grupo preferem não votar.
O mesmo levantamento trouxe ainda um dado complementar ao empate: 46% dos eleitores enxergam Lula como radical e 45% fazem julgamento idêntico sobre Flávio Bolsonaro — simetria que reforça a tese de polarização espelhada, e que o Tropiquim analisou em detalhe, incluindo os índices de honestidade dos dois pré-candidatos.
Aprovação no pior nível em oito meses
O governo Lula registra 51% de desaprovação e 44% de aprovação — o pior resultado desde julho de 2025, antes do tarifaço de Trump. O índice de desaprovação estava em 49% desde dezembro e voltou agora ao patamar do meio do ano passado.
Felipe Nunes aponta três fatores para a deterioração: noticiário mais negativo, piora na percepção econômica e baixo impacto da isenção do Imposto de Renda. O percentual de brasileiros que dizem ter sido beneficiados pela nova tabela do IR oscilou apenas de 30% para 31% no último mês.
A percepção de que a economia piorou nos últimos 12 meses subiu de 43% em fevereiro para 48% em março. Apenas 24% percebem melhora. A expectativa sobre os próximos 12 meses também vem caindo gradualmente.
Na batalha de rejeições, pela primeira vez o temor por mais um governo Lula supera numericamente o medo do retorno da família Bolsonaro. Lula acumula 56% de rejeição — pior índice e menor potencial de voto (41%) da série histórica. A rejeição a Flávio é de 55%.
A corrupção aparece agora na segunda posição entre as maiores preocupações dos brasileiros, superando os problemas sociais e ficando atrás apenas da violência — movimento que a Quaest associa a novos desdobramentos do escândalo do Banco Master e das investigações sobre fraudes no INSS.