A Uber anunciou o corte de 23% dos seus funcionários globais, com a maioria das demissões concentradas nas áreas de recursos humanos e recrutamento. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg nesta quarta-feira (4).
Em memorando enviado às equipes, o CEO Dara Khosrowshahi afirmou que as mudanças são necessárias para maximizar a eficácia da área de Pessoas da empresa. O impacto sobre trabalhadores no Brasil ainda é desconhecido.
A reestruturação foi comunicada diretamente às equipes por Jill Hazelbaker, promovida no mês passado ao cargo de presidente e diretora de assuntos corporativos. Em seu comunicado, ela descreveu as demissões como passo para construir uma “organização mais conectada, moderna e operacionalmente excelente”.
Um porta-voz da Uber declarou à Bloomberg que os cortes não têm relação com os investimentos da empresa em inteligência artificial — posicionamento que contrasta com o discurso adotado por outras gigantes do setor nas últimas semanas.
Parte dos funcionários de RH que tinham autorização para trabalhar remotamente também foram informados de que precisarão retornar ao modelo híbrido, com presença obrigatória no escritório ao menos três dias por semana.
Big techs e a onda de reestruturações
A Meta, dona do Facebook e do Instagram, anunciou semanas antes o corte de 8 mil funcionários, justificando os desligamentos pelos investimentos bilionários em inteligência artificial. A Oracle também realizou demissões em massa no mesmo período, consolidando um movimento amplo de revisão de quadros nas grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
A negativa da Uber sobre qualquer vínculo com a IA alimenta um debate crescente no setor. Líderes como Jensen Huang, da Nvidia, já alertavam que empresas estariam usando a automação como justificativa conveniente para demissões que pouco tinham a ver com a tecnologia — e CEOs do setor passaram a recuar do próprio alarmismo sobre desemprego em massa provocado pela IA.
O movimento da Uber segue uma tendência observada em diversas big techs que, após anos de expansão acelerada do quadro durante a pandemia, passaram a reduzir equipes com foco em eficiência operacional e margens mais saudáveis.
No Brasil, o impacto ainda é incerto. A empresa não respondeu até o momento sobre eventuais cortes entre os funcionários locais.
