Economia

Reabertura de Ormuz não resolverá crise do petróleo tão cedo, alertam especialistas

Infraestrutura destruída e medo de novos ataques devem manter mercados energéticos desorganizados por anos
Visualização da crise energética no Estreito de Ormuz com rotas comerciais intensas e barris de petróleo

A guerra entre EUA, Israel e Irã se aproxima de 100 dias — e a perspectiva de um acordo de paz no Golfo Pérsico não garante o fim da crise energética global que ela desencadeou.

Executivos do setor petrolífero, líderes da indústria naval e economistas alertam: reabrir o Estreito de Ormuz — por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial — não vai normalizar os mercados rapidamente.

Os preços do petróleo continuam cerca de 30% acima dos níveis pré-guerra, pressionando gasolina, diesel, fertilizantes e alimentos em escala global.

Navios retidos e seguros mais caros

O tráfego pelo estreito entre o Irã e Omã permanece em uma fração do volume normal, mesmo com um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril. Empresas de navegação exigem um período de observação de 30 a 45 dias antes de enviar tripulações de volta à região — e somente após medidas concretas de segurança, como patrulhas navais internacionais.

A precaução tem fundamento. Só na última semana, várias embarcações foram atingidas na passagem. O CEO da Chevron, Mike Wirth, disse que a reabertura deve ocorrer de forma “intermitente”. Neil Crosby, da plataforma Sparta Commodities, foi mais taxativo: “Basta um único ataque a um navio para afastar a grande maioria deles.”

A travessia de três superpetroleiros em 20 de maio — os primeiros a cruzar Ormuz em meses — ilustrou essa dinâmica: associações marítimas emitiram alertas simultâneos sobre ataques, drones e minas, enquanto centenas de navios aguardavam no Golfo. Para Crosby, quando Ormuz for considerado seguro, o processo de escoamento pode levar “oito semanas, ou até mais”.

O Lloyd’s de Londres registrou alta acentuada nos prêmios de risco de guerra para travessias pelo estreito, que permanecem elevados mesmo após o cessar-fogo. As empresas de navegação já substituíram a receita do Golfo por outras rotas — e há pouca razão para assumir o risco de voltar.

Infraestrutura em ruínas

Dezenas de campos de petróleo, oleodutos, refinarias e instalações de gás natural liquefeito foram danificados nos combates. A consultoria Rystad Energy estimou, em abril, custos de reparo entre US$ 25 bilhões e US$ 58 bilhões.

O complexo de Ras Laffan, no Catar, foi o mais afetado: ataques iranianos eliminaram 17% da capacidade de GNL do país, com reparos projetados para levar de três a cinco anos. O Catar foi um dos primeiros países a testar o estreito, com uma travessia inaugural em 10 de maio — mas sob tensão, com drones hostis relatados no Kuwait e novas ameaças militares partindo de Teerã ao mesmo tempo.

Outras instalações energéticas podem levar semanas ou meses para voltar a operar, devido à necessidade de testes rigorosos de segurança e à escassez de peças de reposição. Equipamentos parados desde março acumulam pressão, detritos e processos de corrosão que exigem inspeção cuidadosa. Produtores de GNL ainda enfrentam anos de disputas contratuais por entregas não realizadas, com efeitos nos cronogramas de transporte até 2027, segundo advogados consultados pela S&P Global Platts.

Estoques em colapso e risco de recessão global

Desde o início do conflito, os Estados Unidos aumentaram a produção de petróleo a níveis recordes, a China reduziu suas importações em 3,5 milhões de barris por dia usando reservas estratégicas, e países da Agência Internacional de Energia (AIE) recorreram a seus próprios estoques. Mas essas medidas têm prazo de validade.

O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, disse a investidores no mês passado que, mesmo que Ormuz fosse reaberto imediatamente, “levaria meses para o mercado se reequilibrar”. Caso o fechamento se prolongue por mais algumas semanas, a normalização pode se estender até 2027.

O diretor da AIE, Fatih Birol, alertou que o mercado de petróleo pode entrar em uma “zona crítica” já em julho ou agosto, à medida que os estoques se esgotam. A China precisará retomar as importações, competindo com o restante do mundo por uma oferta já limitada — e os estoques dos EUA devem atingir níveis perigosamente baixos nos próximos meses.

Quando EUA e Irã voltaram a trocar ataques na semana passada, o analista Tony Sycamore já antecipava o mesmo diagnóstico: “mesmo que se chegue a um acordo, ele não vai gerar uma enxurrada de suprimentos” — conclusão agora detalhada por executivos do setor e pela própria AIE.

Para Crosby, os preços do petróleo podem até dobrar caso os estoques comecem a se esgotar. “Quando os estoques começarem a se esgotar, a única solução será o aumento dos preços, porque só preços mais altos conseguem reduzir a demanda de fato”, avaliou o especialista. Segundo ele, esse caminho pode levar a uma recessão global.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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