Deputados democratas dos Estados Unidos enviaram carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que o governo Trump apresente evidências claras antes de incluir o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado.
O documento avisa que a medida “poderia prejudicar as relações entre os EUA e o Brasil e dificultar estratégias eficazes de combate ao crime transnacional”.
A carta foi entregue justamente no dia em que o presidente Lula se reúne com Donald Trump na Casa Branca — encontro em que o assunto deve figurar na pauta bilateral.
Por que os democratas se opõem à designação
O documento afirma que as ferramentas de combate ao terrorismo “devem ser usadas de forma responsável para proteger os americanos — e não para interferir nos assuntos internos do Brasil”. Os signatários exigem que qualquer inclusão na lista seja formalmente respaldada por provas concretas submetidas ao Congresso antes de entrar em vigor.
O governo Trump estuda a medida como parte de um plano de ampliar o controle sobre o crime organizado na América Latina. A expectativa era que o tema fosse um dos pontos centrais do encontro desta quinta-feira (7) entre Trump e Lula.
O alerta dos congressistas ocorre em meio a um crescente escrutínio americano sobre as facções brasileiras. O Wall Street Journal já havia descrito o PCC como o maior grupo criminoso das Américas, com operações confirmadas em 30 países e integrantes identificados em estados como Flórida e Nova York — exatamente o perfil que alimentou a pressão interna por uma resposta mais dura de Washington. Veja como o WSJ expôs a expansão global do PCC.
Cooperação bilateral em xeque
A preocupação dos democratas ganha peso concreto no plano prático. Em abril, a Receita Federal e a agência americana CBP já haviam anunciado parceria conjunta de inteligência contra o crime transnacional — exatamente o tipo de cooperação bilateral que, segundo os legisladores, uma designação terrorista poderia colocar em risco.
Para o lado brasileiro, tratar facções criminosas com o mesmo instrumental jurídico reservado a grupos como o Estado Islâmico significaria conceder aos EUA poderes extraterritoriais sobre questões de segurança pública interna. A carta foi enviada no mesmo dia em que Lula e Trump se reuniram na Casa Branca, com a classificação das organizações explicitamente na pauta bilateral.
