Saúde

Estudo revela que adolescentes perdem um terço das aulas no celular e têm atenção comprometida

Pesquisa americana aponta que checar o aparelho repetidamente prejudica mais o cérebro do que o tempo total de tela

Um novo estudo do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade da Carolina do Norte revelou que adolescentes passam quase um terço do horário letivo conectados a smartphones, verificando os aparelhos dezenas de vezes por dia durante as aulas.

A pesquisa, divulgada em 9 de março, acompanhou jovens de 11 a 18 anos no sudoeste dos Estados Unidos e concluiu que o comportamento está diretamente ligado a menor capacidade de atenção e controle de impulsos mais fraco.

Checar o celular é mais prejudicial do que o tempo total de tela

O dado mais revelador do estudo não é quanto tempo os adolescentes ficam olhando para o celular, mas quantas vezes o verificam. Segundo os pesquisadores, essas interrupções constantes provocam o que os cientistas chamam de fragmentação da atenção — um estado em que o foco profundo necessário para aprender fica comprometido, mesmo que cada checagem dure segundos.

O impacto foi medido por testes que avaliaram a capacidade dos jovens de resistir a estímulos e manter concentração em tarefas específicas. Os pesquisadores também identificaram que o uso não se limita aos intervalos: os smartphones estavam presentes de forma persistente ao longo de todas as horas de instrução.

Para os autores, redes sociais oferecem recompensas imediatas que competem diretamente com o esforço exigido pelo estudo — um desafio crítico para o cérebro adolescente, ainda em desenvolvimento de sistemas de autorregulação.

Lei brasileira baniu celulares nas escolas desde 2025

No Brasil, o debate foi além da teoria. Uma lei sancionada em janeiro de 2025 proibiu o uso de celulares em escolas durante aulas, recreios e intervalos. O período de adaptação foi turbulento: alunos apresentaram sinais de abstinência, com irritação, choro e até comportamentos agressivos, como chutes em cadeiras, especialmente nas primeiras semanas.

Escolas adotaram medidas práticas de fiscalização — bolsinhas individuais, caixas coletivas e armários trancados, com os aparelhos recolhidos no início do dia e devolvidos ao final. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, 62% das unidades atingiram adesão plena após um semestre, enquanto 38% enfrentaram resistências iniciais.

Com os celulares guardados, a interação social se fortaleceu nas escolas brasileiras. Jovens passaram a fazer novas amizades presencialmente, brincar mais e estudar em grupo — trocando telas por conversas no recreio e maior participação em sala. Coordenadores relatam que o ambiente ficou mais acolhedor, com alunos voltando a olhar para colegas e para a lousa.

Os desafios, porém, não desapareceram. Pesquisas apontam que um em cada seis estudantes admite usar o celular escondido, motivado pelo contato familiar ou pelo acesso a redes sociais. A maioria das escolas, no entanto, avalia a mudança como positiva para o aprendizado e o desenvolvimento emocional dos alunos.

Os autores do estudo recomendam que as escolas adotem políticas que restrinjam o acesso a plataformas altamente estimulantes durante o tempo de instrução, mas alertam que o banimento isolado não é suficiente. Eles defendem programas de alfabetização digital que ensinem os jovens a gerenciar o uso da tecnologia de forma mais intencional.

A pressão sobre o uso de telas por adolescentes avança também fora das salas de aula: a partir de 17 de março, o TikTok passará a exigir aprovação dos pais para que menores de 16 anos alterem configurações de conta — mudança alinhada ao ECA Digital, que obriga a vinculação de perfis de menores a um adulto responsável nas redes sociais.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Lei do celular nas escolas transforma rotinas, mas 1 em 3 gestores aponta obstáculos

Celular vira ferramenta pedagógica em 4 de cada 10 escolas do país

IBGE expõe crise de saúde mental entre jovens do Brasil

Violência sexual online atinge 3 milhões de crianças no Brasil em um ano

Brasil chega a 90,5% de acesso à internet e reduz brecha entre campo e cidade

EUA lacram celulares de funcionários no trabalho; veja o que diz a lei brasileira