Cenas de pânico tomaram os subúrbios do sul de Beirute nesta quinta-feira (5) após o Exército de Israel emitir novos alertas de evacuação. Libaneses lotaram as ruas de carro e a pé.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, 102 pessoas morreram e 638 ficaram feridas desde segunda-feira (2), quando os primeiros bombardeios israelenses atingiram o país.
O Hezbollah declarou que não irá se render. A ofensiva israelense foi retomada após o grupo disparar mísseis e drones contra Israel no domingo (1º), quebrando cessar-fogo firmado em outubro de 2024.
Zona-tampão e avanço terrestre
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, autorizou na terça-feira (3) o avanço de tropas para “assumir o controle de posições adicionais no Líbano”. O porta-voz militar Effie Defrin confirmou a criação de uma zona-tampão no sul do Líbano: “O Comando Norte avançou, assumiu o controle do terreno dominante e está criando uma zona de amortecimento, como prometemos, entre nossos moradores e qualquer ameaça”.
Na quarta-feira (4), um dia antes dos alertas de evacuação em Beirute, Israel já havia bombardeado um prédio residencial em Baalbek e um hotel no subúrbio de Hazmieh — o primeiro ataque israelense a uma área predominantemente cristã da capital libanesa. Veja mais sobre os bombardeios do dia anterior.
Israel convocou cerca de 100 mil reservistas desde sábado e deslocou parte deles para a fronteira norte. O governo libanês retirou seu Exército de regiões ao sul do país. As forças israelenses já mantinham cinco posições no sul do Líbano desde novembro de 2024, quando o cessar-fogo havia sido firmado com o Hezbollah.
Os bombardeios atingiram tanto o sul do país quanto a capital, atacada na segunda (2) e na terça (3). Um porta-voz israelense ordenou pelo X que moradores dos subúrbios do sul se deslocassem para os distritos do leste e do norte — parte da área indicada como de risco é adjacente ao aeroporto de Beirute.
Guerra ampliada no Oriente Médio
A retomada da ofensiva contra o Líbano se insere em uma campanha militar mais ampla: no Irã, os bombardeios de Israel e dos EUA já deixaram ao menos 787 mortos e continuam mirando defesas aéreas e infraestruturas do regime — o estopim que levou o Hezbollah a lançar mísseis contra Israel no domingo. Saiba mais sobre os ataques ao Irã.
Os EUA e Israel bombardearam o Irã na manhã de sábado (28 de fevereiro), matando o líder supremo Ali Khamenei e membros do alto escalão militar e de governo. Em resposta, Teerã disparou mísseis contra Israel e bases americanas no Oriente Médio — troca que continua com bombardeios diários entre as partes.
Seis militares americanos morreram desde o início do conflito. O presidente Donald Trump prometeu vingar as mortes: “Os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização”.
O Itamaraty informou acompanhar “com preocupação” a escalada de ataques e confirmou não haver registro de cidadãos brasileiros entre as vítimas no Líbano até o momento. Leia o posicionamento do governo brasileiro.