Tempestades intensas varreram Recife e a Região Metropolitana nesta sexta-feira (1º), deixando ao menos 80 pessoas desalojadas e obrigando o resgate de outros 55 moradores que ficaram ilhados em bairros alagados.
A gravidade da situação levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acionar suporte federal ao estado. Em post no X, ele informou ter ligado pela manhã para o ex-prefeito João Campos e o senador Humberto Costa (PT) para coordenar a resposta às chuvas em Pernambuco.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu aviso meteorológico vermelho — o nível mais grave — para a Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte. Para o sábado (2), a previsão é de chuva moderada a forte nas mesmas regiões, sem alívio imediato no horizonte.
Os estragos se espalharam por múltiplos pontos do estado. Os rios Capibaribe e Sirigi transbordaram, provocando deslizamentos de terra e inundações em áreas residenciais. O ramal Jaboatão do Metrô do Recife foi interditado em razão do volume de água acumulado nas vias.
Na capital, os desalojados foram encaminhados para um abrigo da prefeitura no bairro de Cajueiro, na Zona Norte. Equipes do Corpo de Bombeiros resgataram 55 moradores ilhados em Cajueiro e em Peixinhos, no município de Olinda.
Os temporais ainda afetaram a aviação regional: 14 voos com destino ao Aeroporto Internacional dos Guararapes foram desviados para outros aeroportos por causa das condições climáticas adversas, segundo a empresa administradora do terminal.
Lula cita aliados, mas deixa governadora de fora do comunicado
A publicação de Lula no X chamou atenção por um detalhe político: o presidente mencionou o ex-prefeito João Campos e o senador Humberto Costa — ambos do PT — ao relatar as conversas sobre a crise, mas não citou a governadora Raquel Lyra (PSD), principal autoridade estadual no gerenciamento da emergência.
Lyra informou, pelo X, que acompanha de perto a situação das cidades pernambucanas atingidas pelas fortes chuvas. A ausência do seu nome no comunicado presidencial não passou despercebida, dado o papel central do governo estadual na coordenação das ações de resgate e acolhimento.
O episódio reacende um padrão já observado em outras emergências climáticas no Brasil: a articulação política entre diferentes esferas de governo tende a influenciar a visibilidade da resposta institucional e, em muitos casos, o ritmo de liberação de recursos federais para as regiões afetadas.
