O petróleo registrou o terceiro dia consecutivo de alta nesta quarta-feira (4), com o Brent negociado a US$ 83,07 por barril — avanço de 0,93% —, pressionado pelo prolongamento do conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
A passagem estratégica responde por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Com o bloqueio em vigor, o risco de ruptura no abastecimento global mantém os mercados em alerta e sustenta a trajetória de alta da commodity.
O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e o Irã, conecta os maiores produtores do Golfo Pérsico — Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e o próprio Irã — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. O bloqueio teve início em 28 de fevereiro, quando Teerã anunciou o fechamento como retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei em ataques americanos e israelenses. Seu fechamento afeta um quinto do fluxo global de petróleo — volume suficiente para elevar drasticamente os preços do bruto.
No domingo, dia seguinte ao início do conflito, o barril disparou cerca de 13% e superou US$ 82, atingindo o maior patamar desde janeiro de 2025. Nesta quarta-feira, os ganhos desaceleraram após o presidente Donald Trump afirmar que a Marinha americana poderia escoltar petroleiros pelo Estreito, se necessário.
A declaração veio horas depois de a Guarda Revolucionária iraniana anunciar controle absoluto sobre Ormuz e advertir que embarcações que tentassem cruzá-lo seriam atacadas — mantendo o impasse sem solução à vista.
Com a escalada do conflito, países da região interromperam preventivamente operações de produção de petróleo e gás, ampliando o impacto sobre a oferta global e sustentando a pressão nos preços da commodity.
Cadeia energética global sob pressão
O impacto do conflito não ficou restrito ao petróleo bruto. O Catar suspendeu a produção de gás natural após ataques a instalações no país, enquanto a Arábia Saudita fechou temporariamente sua maior refinaria. Campos de gás em Israel também foram paralisados, e explosões atingiram áreas próximas ao principal terminal de exportação do Irã.
O choque simultâneo em múltiplos pontos da cadeia energética representa uma ameaça incomum ao abastecimento mundial. Com o bloqueio de Ormuz em vigor, analistas já projetam que o barril pode atingir US$ 100 caso a crise se prolongue — o maior choque no mercado de petróleo em anos.
Embora o Brent siga abaixo da máxima registrada na véspera, a combinação de conflito ativo, infraestrutura danificada e rota marítima bloqueada sustenta um cenário de volatilidade prolongada nos mercados de energia.