O Itaú Unibanco confirmou na terça-feira (28) que Diogo Guillen assumirá o posto de economista-chefe do banco a partir de 1º de julho de 2026. O executivo encerrou em dezembro de 2025 seu mandato como diretor de Política Econômica do Banco Central do Brasil — cargo que ocupou por três anos.
Ele sucede Mário Mesquita, economista-chefe desde julho de 2016, que deixa o banco após quase dez anos à frente das áreas de Macroeconomia e Research.
A chegada de Guillen ao Itaú fecha um ciclo que começa no próprio banco. Antes de ingressar no setor público, ele integrou a área econômica da Asset do Itaú entre 2015 e 2021 — o que torna a contratação, na prática, um retorno ao grupo. A transição ao BC veio logo depois, quando foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para a diretoria de Política Econômica, cargo que exerceu entre 2022 e 2025.
À frente dessa diretoria, Guillen coordenou análises de inflação, atividade econômica e expectativas de mercado — insumos que orientam as decisões do Copom sobre a taxa Selic. Sua gestão coincidiu com um momento crítico da política monetária brasileira: a passagem do ciclo de alta de juros no pós-pandemia para o debate sobre o início dos cortes na taxa básica, período em que a diretoria teve papel relevante na construção do cenário base do BC.
Do ponto de vista acadêmico, o economista traz formação sólida: graduação pela PUC-Rio e doutorado pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.
A herança de Mário Mesquita
Sócio do banco e economista-chefe desde julho de 2016, Mesquita é creditado por fortalecer a reputação do Itaú em análises econômicas, liderando a consolidação do time de macroeconomia e a reestruturação da área de research. O banco informou que ele permanecerá como consultor durante o período de adaptação, contribuindo com as funções macroeconômicas da instituição.
A contratação de Guillen ocorre após o cumprimento do período de quarentena, exigência legal para quem transita do setor público para o privado. O economista foi um dos últimos diretores indicados ainda no governo Bolsonaro a encerrar seu mandato no BC — o que aconteceu em dezembro de 2025, conforme as regras de mandato fixo de quatro anos da autarquia, sem possibilidade de substituição antecipada.
Esse arcabouço legal foi justamente o mecanismo que blindou Guillen de pressões políticas ao longo de sua gestão. A autonomia do Banco Central, aprovada pelo Congresso e sancionada em 2021, foi reafirmada publicamente pelo atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que defendeu que a independência do BC vai além do texto da lei.
No mercado financeiro, a contratação é lida como sinal de que o Itaú pretende manter o peso técnico de sua área de research — combinando, no novo nome, experiência prévia no setor privado com vivência direta na formulação de política monetária no Brasil.
