O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou nesta terça-feira por mais um ano a ordem executiva do tarifaço de 50% a produtos brasileiros, após pedidos de aliados da família Bolsonaro por novas sanções contra autoridades do Brasil.
A medida não tem efeito prático, pois a tarifa foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, mas reforça a narrativa da Casa Branca de perseguição política a Jair Bolsonaro e amplia o risco de novas sanções contra brasileiros.
Acusações da Casa Branca contra o Brasil
No comunicado divulgado nesta terça-feira, o governo Trump repetiu uma série de acusações contra autoridades brasileiras. Segundo a Casa Branca, o país adota práticas que “interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e minam o interesse dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas”.
O texto também acusa integrantes do governo brasileiro de “perseguir politicamente um ex-presidente, sua família e seus apoiadores”, em referência direta a Jair Bolsonaro. O Supremo Tribunal Federal é citado como “promotor de censura”, com menções a “prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão” e “censura de conteúdos na internet”.
A ofensiva ocorre mesmo após os Estados Unidos anunciarem, nas últimas semanas, duas novas tarifas contra o Brasil — de 25% e de 12,5% —, enquanto o governo Lula aguardava a decisão final de Washington para calibrar sua resposta.
Pressão da família Bolsonaro e repercussão
Nos bastidores, pessoas próximas à família Bolsonaro afirmam manter tratativas com o governo Trump para a adoção de novas sanções, preferencialmente contra indivíduos no Brasil. Em 2025, aliados do ex-presidente, incluindo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, comemoraram publicamente as medidas anteriores dos EUA contra autoridades brasileiras.
O histórico de sanções inclui o cancelamento de vistos de integrantes do governo Lula e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, que teve bens bloqueados nos Estados Unidos junto com a esposa e uma empresa do casal. O governo americano retirou o ministro da lista de sancionados em dezembro do ano passado.
O Planalto já acusou o governo Trump de usar o tarifaço para beneficiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, leitura reforçada pela renovação da ordem executiva. A imprensa internacional também já associou o tarifaço ao clima eleitoral brasileiro, avaliando que a medida pode pesar na disputa presidencial de 2026.