A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros passou a valer nesta quarta-feira (22), reacendendo a divergência entre o governo federal e os setores mais afetados sobre a resposta ao tarifaço.
Enquanto o Planalto mantém em aberto o uso da Lei da Reciprocidade Econômica contra Washington, entidades como Abimaq, Abicalçados e Abit defendem priorizar a via diplomática e o reforço de crédito às empresas.
Governo evita falar em retaliação
Nesta terça-feira (21), o governo iniciou uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais atingidos pela nova taxação, buscando mapear demandas e discutir mecanismos de mitigação. Ao ser questionado sobre acionar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o governo estuda todas as possibilidades e agirá no “momento adequado”.
Já o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta que “não há a necessidade de se buscar a aplicação de nenhuma medida” contra os americanos. “O governo não recua e não recuará porque não há necessidade de fazê-lo”, disse ele. A tarifa de 25% foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado depois que a Suprema Corte americana barrou outro instrumento para criar tarifas recíprocas.
Setores pressionam por diplomacia
Do lado empresarial, representantes de máquinas e equipamentos, calçados, eletroeletrônicos, pneus, plásticos e têxteis pediram ampliação de crédito e reforço dos programas de apoio, além de resistirem à ideia de reciprocidade imediata. “A reciprocidade não é tão simples. Não somos favoráveis. Temos que continuar pela via diplomática e empresarial”, afirmou José Velloso, presidente da Abimaq. Abicalçados e Abit seguiram a mesma linha, defendendo o instrumento apenas como carta de negociação.
Brasil Soberano e o risco de escalada
O presidente da Fenatac, Paulo Afonso Lustosa, alertou que replicar as tarifas americanas pode agravar a crise comercial e piorar a situação das empresas brasileiras, elevando custos para cadeias produtivas dependentes de insumos importados. Nos bastidores, porém, o Planalto já avalia uma retaliação cirúrgica, mirando setores como audiovisual e patentes farmacêuticas para evitar um “tiro no pé” na própria economia.
O foco das reivindicações empresariais tem sido o fortalecimento do Programa Brasil Soberano, criado para apoiar empresas afetadas pelas tarifas. Segundo o governo, cerca de 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos serão impactadas, com destaque para madeira, móveis, produtos cerâmicos e calçados. Quando a tarifa entrou em vigor, o Brasil ainda não tinha definido sua resposta, após classificar a decisão americana como um “marco lastimável” nas relações bilaterais.
