O vice-presidente Geraldo Alckmin chamou de “injusta e descabida” a tarifa de 25% que os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15) contra produtos brasileiros. A declaração veio durante coletiva de imprensa no Planalto, nesta quinta (16).
A medida, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), entra em vigor em 22 de julho e resulta de uma investigação de um ano baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Investigação de um ano baseia acusação dos EUA
Segundo o USTR, a tarifa é resultado de uma apuração que concluiu que “várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias”, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos. A lista final, porém, isenta produtos como carne bovina e café da sobretaxa.
Na coletiva, ao lado de Alckmin estavam os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Duringan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, e da secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães.
A reunião ministerial repete o movimento já visto horas antes, quando Lula convocou os mesmos ministros ao Planalto para alinhar a resposta ao tarifaço, encontro que antecedeu diretamente as declarações desta quinta.
Não é a primeira vez que o vice-presidente recorre a dados econômicos para questionar a medida: duas semanas antes, Alckmin já citava o superávit comercial dos EUA com o Brasil para negar a lógica das tarifas de 25%.
Brasil ameaça usar Lei da Reciprocidade Econômica
Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um “marco lastimável” na relação bilateral e afirmou que pode recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao Brasil aplicar contra outro país as mesmas restrições sofridas por ele.
O Planalto sustenta que as acusações dos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção da tarifa.
O impacto financeiro já preocupa o setor produtivo: a CNI estima que a nova tarifa deve atingir cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano, mesmo com a lista de isenções concedida pelos americanos.
