A Justiça Eleitoral de São Paulo determinou a retirada de 21 publicações contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição, por propaganda antecipada negativa, impulsionamento irregular e conteúdos falsos.
Entre os casos, o deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do programa de governo da pré-campanha de Fernando Haddad (PT), foi multado em R$ 10 mil por divulgar um vídeo com inteligência artificial que colocava Tarcísio no lugar do personagem Chucky.
O que diz a decisão sobre o vídeo com Chucky
Na decisão proferida na segunda-feira (13), a juíza Domitila Manssur avaliou que o vídeo divulgado por Emídio de Souza extrapolou os limites da crítica política ao usar inteligência artificial para manipular a imagem de uma pessoa viva sem a identificação exigida pela legislação eleitoral.
Segundo a magistrada, o conteúdo substituía artificialmente a imagem de Tarcísio pela do personagem Chucky e o inseria em cenas de violência extrema — explosões, vandalismo, criminalidade e feminicídios. Para a juíza, a mensagem deixava de ser mera caricatura para construir narrativa que atribuía ao agente político responsabilidade simbólica pelo cenário de violência apresentado.
A magistrada destacou que a lei eleitoral não proíbe o uso de inteligência artificial em campanhas, mas veda manipular a imagem de pessoas vivas para favorecer ou prejudicar candidaturas sem identificação explícita do recurso.
Em nota, Emídio de Souza classificou a ação como parte do desespero do governador e de seu partido para responder a críticas políticas, e afirmou que vai recorrer, já que a decisão sobre a multa ainda não é definitiva.
Outros alvos das 21 decisões incluem publicações dos deputados estaduais Antonio Donato e Jilmar Tatto, além de anúncios de perfis anônimos nas redes sociais. O processo contra o Diretório Estadual do PT e a Federação Brasil da Esperança foi extinto por falta de provas de vínculo com os perfis.
Padrão de disputas judiciais por vídeos com IA
O caso se soma a uma sequência de decisões da Justiça Eleitoral em 2026 envolvendo vídeos manipulados por inteligência artificial. Semanas antes, o próprio PT havia acionado o TSE contra um vídeo com IA de Flávio Bolsonaro que simulava um ataque do deputado a facções criminosas — agora é um coordenador petista quem responde por manipular a imagem de um adversário.
Em junho, o TSE já havia determinado que Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos apagassem publicações que associavam Flávio Bolsonaro ao crime organizado sem base factual, usando o mesmo argumento de decisões anteriores envolvendo Lula.
Para a pré-campanha de Tarcísio, o conjunto de decisões evidencia uma ofensiva organizada para atacar o governador com perfis anônimos e disseminação em massa. O grupo reafirmou compromisso com a verdade, o debate de propostas e o respeito à legislação eleitoral.
