A embaixada do Brasil em Caracas emitiu alerta para que brasileiros na Venezuela evitem a região de La Guaira, uma das mais devastadas pelos terremotos que castigam o país desde a semana passada. A representação diplomática também pediu doação de sangue aos compatriotas que vivem no país.
A Venezuela acumula mais de 2 mil mortos e cerca de 5 mil feridos após dois terremotos de magnitude superior a 7. A ONU alerta que dezenas de milhares de pessoas ainda estão desaparecidas.
Nesta terça-feira (30), o ministro da Defesa, José Múcio, desembarca em Caracas a mando do presidente Lula para avaliar as necessidades locais e ampliar o apoio humanitário brasileiro.
Cinco voos e hospital de campanha em expansão
O Brasil já realizou quatro voos de ajuda humanitária à Venezuela desde o início da crise. O quinto parte nesta terça-feira (30) com equipamentos para expandir o hospital de campanha brasileiro no país, 45 militares da Marinha e 5,5 toneladas de insumos médicos.
A missão de Múcio foi determinada por Lula na última sexta-feira (26), quando o presidente abriu um discurso com minuto de silêncio pelas vítimas ao anunciar o envio do ministro para mapear o que mais o Brasil poderia oferecer diante da dimensão da tragédia.
Em Caracas, Múcio se reúne com o ministro da Defesa venezuelano para reforçar o apoio do Brasil e oferecer mais assistência conforme as necessidades locais. Acompanham o ministro na agenda a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, e o secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Rabelo.
A presença de representantes da área habitacional na comitiva sinaliza que o Brasil também projeta apoio à reconstrução do país, além da resposta emergencial imediata. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, mantém contato paralelo com autoridades venezuelanas para reforçar o compromisso diplomático.
O Itamaraty confirmou que dois brasileiros estão entre as vítimas dos terremotos — as mortes ocorreram em desabamentos distintos, sendo uma em Caracas; as vítimas não eram da mesma família e uma delas estava em local ainda apurado pelas autoridades.
No domingo (28), a Força Aérea Brasileira resgatou 13 brasileiros que procuraram a embaixada em Caracas, aproveitando a aeronave que voltaria vazia após entregar ajuda humanitária — a mesma lógica que deve guiar os voos seguintes.
A coordenação entre Defesa e Itamaraty reflete a estratégia do governo Lula de liderar a resposta regional à tragédia, combinando socorro imediato com articulação diplomática de alto nível.
Com dezenas de milhares de desaparecidos segundo a ONU, o balanço definitivo de vítimas pode ser significativamente superior aos números já confirmados — o que mantém a pressão sobre os esforços humanitários em curso.
