A Força Aérea Brasileira resgatou 13 cidadãos que estavam na Venezuela e os trouxe de Caracas ao Rio de Janeiro, no aeroporto do Galeão. A operação ocorre enquanto o balanço do duplo terremoto de quarta-feira (24) chegou a 1.450 mortos neste domingo (28).
Os brasileiros procuraram a embaixada em Caracas e retornaram ao país na mesma aeronave que havia levado ajuda humanitária à Venezuela — o voo que voltaria vazio foi aproveitado para o resgate.
Dois compatriotas morreram nos sismos, os mais fortes no país em mais de 100 anos. O governo federal confirmou assistência consular às famílias das vítimas.
Dois brasileiros entre as vítimas fatais
O Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte de dois cidadãos nos terremotos. Uma das vítimas é Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, moradora do Distrito Federal que vivia há cerca de dois meses em La Guaira, área entre as mais devastadas pelos tremores.
A outra vítima é o pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Segundo a família, ele foi atingido pelo desabamento de uma parede enquanto tentava se proteger com a esposa. Os dois chegaram a ser resgatados dos escombros, mas Romildo não resistiu aos ferimentos.
O Itamaraty havia confirmado as mortes dos dois cidadãos ainda na quinta-feira (25), quando o balanço oficial da tragédia registrava menos de 200 vítimas — números que cresceram vertiginosamente nos dias seguintes.
Dimensão da destruição
Os dois sismos atingiram a região norte da Venezuela na noite de quarta-feira, derrubando prédios e espalhando destruição por Caracas e arredores. Ao todo, 774 edificações foram danificadas, das quais 189 desabaram completamente. O número oficial de feridos chegou a 3.150.
A aeronave que trouxe os 13 brasileiros é a mesma que pousou em Maracay com equipe de busca e resgate, cães farejadores e equipamentos especializados — o KC-390 Millennium retornou ao Brasil com os cidadãos no lugar da carga humanitária enviada pelo governo federal.
O presidente da Assembleia Nacional venezolana, Jorge Rodríguez, confirmou neste domingo (28) que o número de mortos chegou a 1.450 em pronunciamento televisionado. As Nações Unidas estimam que cerca de 50.000 pessoas ainda estejam desaparecidas.
A resposta internacional ganhou escala nos últimos dias. Segundo Oliver Blanco, do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, mais de 1.600 socorristas estrangeiros já chegaram ao país em 17 voos. Outros 25 voos com equipes de resgate são esperados nas próximas 24 horas.
O governo brasileiro informou que presta assistência consular às famílias dos dois cidadãos mortos. A fronteira compartilhada entre Brasil e Venezuela coloca o país vizinho em posição de atenção permanente da diplomacia brasileira diante de crises humanitárias na região.
