A Anvisa proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso do cosmético alisante “Bottox Amazon Therapy Natuvegan”, vendido exclusivamente pela internet pela empresa Progressiva Orgânica.
O produto circulava no mercado sem registro sanitário, mas exibia na embalagem os dados cadastrais de outra empresa — a Maria das Graças Oliveira da Silva ME —, que declarou à agência desconhecer a fabricação do cosmético.
Comercializado sob o apelo de “botox capilar orgânico”, o Bottox Amazon Therapy Natuvegan é um alisante capilar. O termo “botox capilar” é denominação informal para tratamentos de alisamento, e a promessa de fórmula natural no nome não altera a categoria regulatória do produto — que segue sujeito às mesmas exigências sanitárias de qualquer alisante.
Como funciona a fraude
O esquema identificado pela Anvisa é uma burla ao sistema de registro sanitário: a Progressiva Orgânica vendia o produto sem regularização própria, mas exibia no rótulo o número de cadastro da Maria das Graças Oliveira da Silva ME. A titular desse cadastro declarou formalmente à agência desconhecer por completo a fabricação do cosmético.
No Brasil, cosméticos precisam ter registro ou notificação na Anvisa antes de entrar no mercado — exigência que garante tanto a avaliação da formulação quanto a identificação do fabricante em caso de problemas. Ao estampar dados de uma empresa legitimamente cadastrada, o produto criava aparência de conformidade legal que consumidores não conseguem questionar apenas pela embalagem.
O caso segue um padrão recorrente de produtos irregulares comercializados em canais digitais. A Tropiquim havia reportado que o peptídeo injetável GHK-Cu era vendido em marketplaces brasileiros sem qualquer aprovação da Anvisa — irregularidade que se repete agora no segmento de cosméticos.
O mecanismo de falsificação documental para simular legalidade também apareceu em outras categorias de produtos de saúde. Em junho, a Anvisa proibiu um lote do hormônio Criscy com número de lote inexistente e datas fabricadas — o mesmo modelo de adulteração de identificação para criar aparência de produto regularizado.
Para checar se um cosmético tem registro válido antes da compra, a Anvisa disponibiliza um sistema de consulta pública em seu site. A recomendação é verificar o nome do produto e o número de cadastro — especialmente em compras online, onde o risco de encontrar itens sem registro sanitário é mais alto.
