O Ministério da Saúde incorporou ao SUS, nesta segunda-feira (15), a combinação de venetoclax e azacitidina para tratar adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada que não toleram quimioterapia intensiva.
A decisão, publicada em portaria, contempla pacientes inelegíveis aos esquemas convencionais mais agressivos — geralmente por idade avançada, fragilidade clínica ou comorbidades. Os serviços públicos terão até 180 dias para efetivar o acesso ao tratamento.
O que é a leucemia mieloide aguda
Câncer originado na medula óssea — tecido responsável pela produção das células do sangue —, a leucemia mieloide aguda surge quando células anormais passam a se multiplicar de forma descontrolada, comprometendo a produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Especialistas dividem as leucemias em dois grupos: agudas e crônicas, cada uma podendo ser mieloide ou linfoide. Nas mieloides, o dano atinge as células precursoras dos glóbulos vermelhos e das plaquetas; nas linfoides, os linfócitos — fundamentais para a defesa do organismo.
Nas formas agudas, sintomas como cansaço intenso, febre persistente, hematomas espontâneos e sangramentos surgem, em geral, em poucas semanas. Perda de peso, dores ósseas e suor noturno também figuram entre os sinais de alerta.
Como os dois medicamentos atuam
O venetoclax pertence ao grupo das terapias-alvo: bloqueia proteínas que ajudam as células tumorais a sobreviver. A azacitidina, por sua vez, interfere no crescimento e na multiplicação das células doentes. Em combinação, os dois fármacos se tornaram referência para pacientes que não conseguem tolerar a quimioterapia intensiva — perfil que inclui idosos e pessoas com múltiplas comorbidades.
O diagnóstico da LMA começa, geralmente, com alterações detectadas no hemograma. A confirmação depende de exames da medula óssea, como o mielograma, e de testes genéticos que identificam mutações e orientam o tratamento mais adequado.
“O cariótipo e outros exames moleculares ajudam a prever se o paciente vai responder bem à quimioterapia ou se há maior risco de recidiva. Isso não apenas define o subtipo, mas também direciona o tratamento”, explicou Joana.
O prazo de 180 dias previsto pela portaria para que o venetoclax chegue à rede pública já acende um alerta. Esse mesmo intervalo, no caso de Larissa Amorim, se converteu em 59 dias de espera e numa morte antes de o tratamento ser entregue — distância crítica entre a aprovação formal e o acesso real.
Para pacientes mais jovens ou com maior risco de recaída, o transplante de medula óssea continua sendo uma das principais estratégias com potencial curativo. O procedimento destrói a medula doente por quimioterapia ou radioterapia e a substitui por células-tronco saudáveis de um doador compatível.
“Mesmo com doadores 100% compatíveis, há risco de rejeição. Por isso, o paciente precisa de imunossupressores por meses. É um equilíbrio delicado entre evitar rejeição e não deixar o organismo vulnerável a infecções”, explicou Breno Gusmão.
Com a incorporação, o venetoclax associado à azacitidina integra oficialmente o rol de tecnologias do SUS para a leucemia mieloide aguda em adultos inelegíveis à quimioterapia intensiva. A expectativa é que a oferta se concretize nos serviços públicos ao longo dos próximos seis meses.
