Saúde

SUS passa a oferecer novo tratamento para ELA em estágio inicial

Edaravona se soma ao riluzol e pode aumentar em até seis meses a sobrevida dos pacientes, aponta estudo
Aperto de mãos entre paciente e profissional de saúde simboliza o novo tratamento para ELA no SUS

O Ministério da Saúde incorporou a edaravona ao SUS nesta terça-feira (21), conforme portaria publicada no Diário Oficial da União. O medicamento é destinado a pacientes adultos com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em graus 1 e 2, diagnosticados há no máximo dois anos.

A rede pública terá até 180 dias para efetivar a oferta do novo tratamento, que passa a ser a segunda opção terapêutica específica contra a doença no SUS, ao lado do riluzol.

O que é a ELA e por que o diagnóstico é difícil

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo, levando à perda progressiva do controle muscular. Não existe cura conhecida, e a ausência de exames laboratoriais ou marcadores de precisão específicos torna o diagnóstico complexo — em média, são necessários 11 meses até a confirmação do quadro.

Os primeiros sintomas costumam ser discretos e podem passar despercebidos, o que atrasa a busca por tratamento. No estágio inicial, o raciocínio intelectual e os sentidos permanecem preservados, mas essas funções tendem a se deteriorar com o avanço da doença.

Sobrevida e perfil dos pacientes

Após o surgimento dos primeiros sintomas, a sobrevida média é de três anos e meio, já que o comprometimento dos músculos respiratórios costuma levar a infecções pulmonares fatais. A ELA é mais frequente entre 50 e 70 anos, rara em jovens, e apenas 10% dos casos têm origem genética.

Até a nova portaria, o riluzol era o único medicamento específico oferecido pelo SUS para ELA, atuando para retardar a progressão da doença e prolongar a sobrevida em alguns meses. A edaravona chega como alternativa complementar, direcionada especificamente aos casos ainda em fase inicial.

A eficácia do novo fármaco foi avaliada em estudo publicado na revista científica The Lancet em 2022: entre os pacientes analisados, o uso da edaravona esteve associado a um aumento de cerca de seis meses na sobrevida e a uma redução no risco de morte. Para especialistas, o resultado reforça a importância do diagnóstico precoce, já que a nova terapia é indicada apenas para quem tem até dois anos de doença.

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo das terapias contra a ELA disponíveis no SUS é ampliar a sobrevida, melhorar a qualidade de vida e controlar os sintomas — já que, até o momento, não existe tratamento capaz de reverter ou curar a doença.

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