Política

PCC faz de Santa Cruz de La Sierra refúgio de líderes foragidos

Prisão de Gerson Palermo, depois de 6 anos foragido, expõe a rede de luxo mantida pela facção na Bolívia
Símbolo da Polícia Federal contra marca do PCC em Santa Cruz de La Sierra, representando investigação contra a facção

A prisão de Gerson Palermo, chefe do PCC capturado na Bolívia nesta terça-feira (26) depois de seis anos foragido, joga nova luz sobre Santa Cruz de La Sierra — cidade que autoridades brasileiras identificam como um dos principais esconderijos da facção fora do país.

Palermo foi localizado em operação conjunta entre a Polícia Federal e a força boliviana de combate ao narcotráfico, reforçando um padrão de capturas que expõe a cidade como base estratégica do grupo para o tráfico internacional de cocaína.

Entre os criminosos mais visados que a cidade boliviana abriga está Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, apontado pelo Ministério Público como o principal líder do PCC ainda em liberdade. Investigações indicam que ele vive há mais de uma década em Santa Cruz de La Sierra com identidade falsa, circulando por mansões em condomínios de alto padrão.

Documentos obtidos pelo Fantástico mostram que “Mijão” já ocupou ao menos seis imóveis de luxo na cidade. Em uma das residências, o aluguel chegava a quase R$ 30 mil mensais — custo bancado por uma facção que, segundo o Wall Street Journal, opera em 30 países com cerca de 40 mil membros.

Outros foragidos do PCC passaram pela cidade

Santa Cruz de La Sierra não é parada exclusiva de Palermo e “Mijão”. Fuminho, hoje preso em Moçambique, também esteve na cidade. André do Rap segue foragido. Tuta foi capturado em maio deste ano após tentar renovar um documento falso — mais uma prisão que evidencia o uso sistemático de identidades adulteradas pela facção.

É justamente essa estrutura transnacional que explica por que Santa Cruz de La Sierra se tornou uma das bases mais estratégicas do PCC fora do Brasil, num modelo que combina lavagem de dinheiro, tráfico de cocaína e proteção de fugitivos em um único polo operacional.

O jornalista investigativo Guider Arancibia, que vive sob ameaça de morte em Santa Cruz de La Sierra, denuncia a presença de empresários locais que, segundo ele, são “lobos ferozes do narcotráfico internacional” disfarçados de homens de negócios comuns.

Arancibia também aponta falhas estruturais na cooperação bilateral. “Há decisões que vêm do Brasil que ficam congeladas. Não é produto do esquecimento, é produto da corrupção”, afirma — uma acusação que vai além das dificuldades operacionais e aponta para conivência institucional dos dois lados da fronteira.

Pressão política e os limites da parceria

A questão chegou à arena eleitoral boliviana: na disputa presidencial deste ano, o candidato de direita Jorge Quiroga incluiu o combate ao PCC entre suas promessas de campanha. O movimento revela que a presença da facção brasileira deixou de ser apenas pauta policial para virar tema de disputa de voto no país vizinho.

A Polícia Federal afirma, em nota, que realiza monitoramento constante de foragidos e que a cooperação com a Bolívia tem avançado. A prisão de Gerson Palermo é apresentada como prova dessa parceria — mas o caso de “Mijão”, solto há mais de dez anos em Santa Cruz, expõe o limite de um esquema que, por enquanto, captura peixes menores enquanto o maior segue intocado.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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