Donald Trump visitou Pequim nesta quinta-feira (15) e foi recebido com um banquete pelo presidente chinês Xi Jinping. Os dois líderes trocaram elogios públicos e prometeram transformar a relação bilateral em parceria — a mais importante do mundo, segundo ambos.
Xi chamou a visita de “histórica” e afirmou que China e EUA não devem ser rivais. Trump retribuiu chamando Xi de “amigo e grande líder” e anunciou convite para uma visita oficial aos EUA em 24 de setembro.
A reunião formal começou por volta das 23h de quarta-feira no horário de Brasília — final da manhã em Pequim — e durou cerca de 2h15, com as delegações dos dois países frente a frente. A Casa Branca classificou o encontro como “bom” e disse que Trump e Xi discutiram questões econômicas e geopolíticas.
O comunicado americano, porém, não fez nenhuma menção a Taiwan. A diplomacia do jantar contrastou com o tom reservado das conversas a portas fechadas: segundo a agência Xinhua, Xi foi além dos elogios e usou a “armadilha de Tucídides” para alertar Trump sobre o risco concreto de confronto caso Taiwan não seja tratada com cuidado pelos dois países.
Nos discursos públicos do banquete, Xi disse que os interesses comuns superam as diferenças e que a relação entre as duas potências será decisiva em um momento de “encruzilhada” global. Trump declarou que os EUA têm um “futuro fantástico” com a China.
Irã, Ormuz e fentanil na agenda
Trump e Xi concordaram que o Irã jamais poderá ter uma arma nuclear. Também afirmaram que o Estreito de Ormuz — canal que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo, fechado pelo regime iraniano desde o fim de fevereiro — “precisa continuar aberto”. A China é um dos principais aliados de Teerã.
Na frente econômica, os presidentes discutiram formas de ampliar a cooperação e de reduzir o fluxo de matéria-prima precursora para a produção de fentanil nos EUA. A promessa de cooperação tem lastro concreto: na véspera da cúpula, EUA e China já haviam identificado cerca de US$ 30 bilhões em produtos para redução tarifária recíproca e discutiam a criação de um Conselho de Comércio bilateral.
A omissão de Taiwan no comunicado americano tem peso diplomático preciso. Washington e Pequim travam uma disputa silenciosa de palavras no campo diplomático — os termos usados e a menção ou não da questão em documentos oficiais podem ter repercussão direta nas ações futuras de ambos os países.
Taiwan é uma ilha no Mar da China, a cerca de 180 km do continente. Tem governo próprio, mas Pequim quer anexá-la e pressiona países do mundo a não reconhecê-la como nação independente — o que torna a questão um dos pontos mais sensíveis para Xi.
A teoria da “armadilha de Tucídides”, invocada por Xi no jantar, descreve o padrão histórico em que guerras surgem quando uma potência emergente ameaça desafiar uma dominante. Ao mobilizar o conceito diante de Trump, o presidente chinês sinalizou que os dois países precisam forjar um novo modelo de convivência — e que os riscos de não fazê-lo são concretos.
