Política

PF aponta que Daniel Vorcaro usou jogo do bicho para intimidar rivais

6ª fase da Compliance Zero prende pai do banqueiro e expõe rede de coerção ancorada na contravenção carioca
Polícia Federal investiga Daniel Vorcaro: jogo do bicho investigação expõe rede de intimidação

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. Ao todo, sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão foram cumpridos.

Documentos da investigação revelam que Daniel Vorcaro mantinha relação direta com operadores do jogo do bicho — usados como instrumento de intimidação física e moral contra desafetos do grupo.

A decisão que autorizou a operação, assinada pelo ministro André Mendonça, do STF, posiciona Vorcaro como figura central da organização, com ordens executadas por diferentes núcleos criminosos.

“A Turma” e os operadores da contravenção

O núcleo batizado de “A Turma” reunia integrantes responsáveis por ameaças, coerções e levantamentos clandestinos — com participação direta de operadores ligados ao jogo do bicho. A PF cita especificamente Manoel Mendes Rodrigues, descrito nos autos como “empresário do jogo” no Rio de Janeiro.

Segundo os investigadores, Manoel liderava um braço local da organização e atuava como aliado próximo de Vorcaro. Sua reputação no meio da contravenção era deliberadamente explorada para dar peso às ameaças e provocar medo nas vítimas.

Um dos episódios registrados ocorreu em Angra dos Reis: Manoel se apresentou como amigo de Vorcaro e mencionou sua atuação no jogo do bicho durante abordagem intimidatória. Para a PF, a ligação não era circunstancial — era parte da engrenagem da organização. A célula que reunia Manoel Mendes e outros contraventores era parte de uma estrutura maior: “A Turma” — braço de intimidação e espionagem que a PF mapeou em detalhes na mesma operação.

Policiais federais entre os investigados

A investigação também identificou integrantes da própria PF entre os suspeitos — incluindo uma delegada e policiais em atividade e aposentados. Eles atuavam no repasse de informações sigilosas obtidas via sistema e-Pol, plataforma interna da corporação.

Um segundo grupo, “Os Meninos”, tinha perfil eminentemente tecnológico: ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal. Ambos os grupos eram gerenciados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, que respondia ao núcleo central da organização.

A prisão de Henrique Vorcaro se encaixa num cerco progressivo sobre o entorno familiar: Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, havia sido preso na fase anterior — evidenciando o avanço sistemático da PF sobre a família. Segundo a investigação, Henrique era o operador financeiro dos núcleos criminosos, responsável por demandar os serviços e efetuar os pagamentos.

Em 2024, o operador Marilson Roseno da Silva teria acionado ao menos três policiais federais para descobrir o conteúdo de um inquérito no qual Henrique havia sido intimado. O episódio reforça a suspeita de que a estrutura clandestina também atuava na obtenção de informações sobre investigações em curso de interesse direto do grupo.

A defesa de Henrique Vorcaro reagiu à prisão por meio de nota: “A decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária.”

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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