A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14) David Henrique Alves, apontado como líder do grupo hacker “Os Meninos”, na 6ª fase da Operação Compliance Zero — investigação sobre crimes ligados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
Em março, David já havia sido abordado pela Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais ao volante do carro de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Vorcaro, que cometeu suicídio após ser preso na 3ª fase da operação.
Outros dois integrantes do grupo também foram presos preventivamente: Rodrigo Pimenta Campos e Victor Sedlmaier.
“Os Meninos” e a estrutura de espionagem digital
David Alves liderava “Os Meninos”, o braço hacker de uma estrutura paralela de espionagem montada para proteger o Banco Master — cujos grupos e hierarquia a PF detalhou na mesma operação desta quinta-feira.
Segundo a investigação, o grupo era especializado em “ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal”. Atuava em conjunto com “A Turma” — núcleo violento do esquema, responsável por ameaças a adversários —, à qual o “Sicário” pertencia. David recebia cerca de R$ 35 mil por mês pelos serviços prestados ao “Sicário”, em atendimento aos interesses de Vorcaro.
A fuga de março com a Range Rover de ‘Sicário’
Em 4 de março, horas após Vorcaro e “Sicário” serem presos na 3ª fase da Compliance Zero, a PRF abordou em Minas Gerais um casal que aparentava estar fugindo com o utilitário LR Range Rover de “Sicário” — veículo que seguia de Belo Horizonte para São Paulo. O STF havia determinado a apreensão do carro.
No interior do veículo, os agentes encontraram um documento de identidade em nome de Marcelo Souza Gonçalves, mas com a foto de Victor Sedlmaier — um dos presos nesta quinta-feira.
“Esse elemento agrava consideravelmente a imputação em relação a Victor, pois o vincula não apenas ao núcleo hacker, mas também a possível uso de documentação ideologicamente falsa em contexto de fuga, ocultação e suporte à atividade criminosa”, afirmou a Polícia Federal.
Depoimento, apartamento limpo e aval da PGR
Em depoimento prestado à PF antes desta operação, Victor Sedlmaier afirmou que trabalhava para David Alves desde julho de 2024, realizando serviços como conserto de computadores, deslocamento de veículos para oficinas, recarga de créditos em celular e desenvolvimento de software de inteligência artificial.
No dia seguinte à 3ª fase da Compliance Zero — 5 de março —, Sedlmaier “limpou” o apartamento de David Alves. Rodrigo Pimenta Campos, descrito como “operador auxiliar do braço hacker” e “colaborador próximo da estrutura de monitoramento e ação telemática ilegal”, também teria participado da ação de apagamento de rastros.
Os R$ 35 mil mensais que David recebia faziam parte de um esquema bem maior: o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, repassava R$ 400 mil por mês para sustentar toda a estrutura — e não parou nem após as primeiras fases da operação.
A Procuradoria-Geral da República concordou com todas as prisões solicitadas pela Polícia Federal.
