Saúde

Ypê nega risco e vai recorrer de ordem de recolhimento da Anvisa

Empresa tem 10 dias para contestar auto de infração após inspeção apontar falhas em etapas críticas da produção
Produtos Ypê recolhidos Anvisa: vigilância sanitária após falhas em etapas críticas

A Química Amparo, fabricante da marca Ypê, negou que os produtos alvo de recolhimento determinado pela Anvisa representem risco à saúde e anunciou recurso contra a decisão.

A agência publicou a Resolução 1.834/2026 suspendendo a fabricação e a comercialização de dezenas de itens — lava-louças, lava-roupas e desinfetantes — pertencentes a lotes com numeração terminada em 1.

A empresa tem 10 dias para contestar o auto de infração emitido pela Vigilância Sanitária de Amparo (SP), município onde fica a fábrica, após fiscalização de quatro dias.

O que motivou a decisão da Anvisa

A inspeção na planta da Ypê em Amparo (SP) constatou “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”. Segundo a agência, as falhas comprometem os sistemas de garantia da qualidade, produção e controle, violando as Boas Práticas de Fabricação e abrindo caminho para contaminação microbiológica.

A empresa rebate com nota afirmando ter “fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes” que atestam a segurança dos itens e diz confiar na reversão da decisão “no menor prazo possível”.

Produtos e lotes afetados

A suspensão abrange apenas lotes com numeração terminada em 1, nas seguintes categorias: lava-louças (incluindo versão concentrada), lava-roupas líquido e desinfetante.

A orientação da Anvisa é que consumidores com esses produtos suspendam o uso imediatamente e contatem o SAC da Ypê — pelo e-mail sac@ype.ind.br ou pelo 0800 1300 544 — para tratar da devolução.

O episódio não é isolado: o caso tem raízes em novembro de 2025, quando a própria Ypê já havia identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de lava-roupas e realizou um recolhimento voluntário focado em imunossuprimidos — episódio que coloca em xeque a efetividade dos controles de qualidade da marca.

Fábrica parada mesmo após suspensão judicial da ordem da Anvisa

Nos dias seguintes à decisão, o caso ganhou um desdobramento inusitado: mesmo após obter efeito suspensivo que lhe permitiria retomar a produção imediatamente, a Ypê decidiu manter a fábrica parada de forma voluntária para implementar as melhorias apontadas pela Anvisa durante a fiscalização.

A postura contrasta com o discurso público da empresa, que insiste na segurança dos produtos e na expectativa de reverter a decisão regulatória — e pode ser lida como reconhecimento tácito de que havia pontos a corrigir no processo produtivo.

A Ypê reafirma “compromisso com a qualidade, a segurança e a transparência” e se coloca à disposição da autoridade sanitária, da imprensa e dos consumidores. Dúvidas podem ser enviadas para sac@ype.ind.br ou pelo 0800 1300 544.