Um navio carregado com gás natural do Catar atravessou o Estreito de Ormuz neste domingo (10) pela primeira vez desde o início da guerra entre Irã e Estados Unidos, chegando ao Paquistão sem incidentes.
O combustível é essencial para o país asiático, que vive apagões por falta de gás. Outros dois petroleiros também completaram a travessia no mesmo dia, em passagem monitorada de perto pelo mundo.
O clima, porém, continua tenso: o Kuwait relatou drones hostis em seu espaço aéreo nesta manhã, e Teerã emitiu novas ameaças militares após bombardeios americanos na sexta-feira.
O Irã teria autorizado a passagem do navio catariano como gesto de boa vontade a Doha e Islamabade — dois governos que atuam como mediadores nas negociações para reduzir a tensão no conflito. Ao mesmo tempo, Teerã alertou que embarcações de países que apoiam as sanções americanas podem encontrar obstáculos para cruzar o estreito.
Os Estados Unidos aguardam resposta oficial do Irã sobre uma proposta para encerrar a guerra e abrir negociações sobre temas mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano. Donald Trump afirmou esperar uma resposta “muito em breve”. A pressão por um acordo cresceu porque o presidente americano deve viajar à China nesta semana.
Controle sobre o estreito em disputa
Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. Desde o início da guerra, o Irã passou a restringir parte da circulação de navios estrangeiros na rota. Parlamentares iranianos debatem agora um projeto para ampliar o controle do país sobre o estreito, com possibilidade de barrar embarcações de nações consideradas inimigas.
Os EUA tentam reunir apoio internacional para garantir a segurança da navegação, mas enfrentam resistência de aliados da OTAN, que recusam enviar navios militares sem um acordo de paz mais amplo. O conflito já provoca impactos no mercado global de energia e preocupa governos pelo risco à economia mundial. O alerta iraniano é desdobramento direto do bloqueio naval decretado pelos EUA em abril, quando o petróleo Brent ultrapassou US$ 100 pela primeira vez na guerra.
A escalada ganhou novo capítulo no sábado (9): a Marinha do Irã afirmou que responderá de forma “pesada” caso navios iranianos sejam atacados novamente pelos Estados Unidos. Em comunicado nas redes sociais, o governo iraniano disse que mísseis e drones já estão posicionados e aguardam apenas uma ordem para agir.
A ameaça veio dois dias depois de os EUA bombardearem dois petroleiros iranianos na sexta-feira (8), durante o cessar-fogo em vigor. O episódio, que Teerã classificou como aventura militar irresponsável, alimenta diretamente as ameaças de resposta pesada anunciadas neste domingo. Trump minimizou os ataques e disse que a ação não violou a trégua.
O chanceler iraniano, Abbas Aragchi, criticou Washington e revelou que o país ampliou seu estoque de mísseis desde o início do conflito. O Irã também acusou os EUA de atingir áreas civis próximas ao estreito e reiterou que não aceita pressão militar durante as negociações.
No campo diplomático, o secretário de Estado Marco Rubio se reuniu no sábado com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani. O Reino Unido anunciou que enviará um navio de guerra ao Oriente Médio para uma possível missão internacional de segurança. Na semana passada, relatos de mísseis iranianos atingindo um navio americano no estreito já tinham empurrado o petróleo acima de US$ 100, sinalizando a fragilidade do cessar-fogo antes mesmo dos ataques de sexta-feira.
