O Brasil e os Estados Unidos realizaram nesta terça-feira (19) a primeira reunião técnica bilateral desde a visita do presidente Lula à Casa Branca. O encontro, feito por videoconferência, deu início formal às negociações comerciais entre os dois países.
O ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, se reuniu com o secretário de Comércio americano, Jamieson Greer, e avaliou o encontro como “excelente”. As tratativas seguem prazo de 30 dias acordado por Lula e Trump no início do mês.
O que está em jogo nas negociações
Segundo Elias Rosa, o presidente Lula orientou os negociadores brasileiros a buscarem compromissos concretos do lado americano. As propostas formais do Brasil, no entanto, ainda não foram apresentadas durante este primeiro contato.
O ministro separou as duas frentes abertas com Washington: as negociações comerciais em curso não interferem na investigação baseada na Seção 301, conduzida em paralelo pelo Itamaraty. Trata-se de mecanismo americano que permite apurar práticas comerciais consideradas desleais.
Críticas americanas ao modelo comercial brasileiro
Os questionamentos dos EUA concentram-se em tarifas consideradas elevadas para produtos industriais e de tecnologia. O governo americano também critica regras em setores estratégicos, como aço, alumínio e etanol, argumentando que dificultam a entrada de produtos estrangeiros e prejudicam exportadores americanos.
O grupo de trabalho Brasil-EUA sobre tarifas havia sido anunciado em 8 de maio, quando o ministro Rosa confirmou o convite a Greer para a videoconferência. A reunião desta terça é o primeiro resultado concreto do mecanismo criado após a cúpula bilateral.
As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos se inserem em um contexto mais amplo de pressão tarifária americana. O chamado “tarifaço” anunciado pelo governo Trump atingiu dezenas de países e colocou o Brasil na mira de questionamentos sobre suas barreiras comerciais.
A origem direta destas tratativas está na visita de Lula à Casa Branca no início de maio, quando o presidente saiu do encontro com Trump confiante e com o mandato para iniciar negociações em até 30 dias. O prazo aproxima-se do fim, o que explica o ritmo acelerado das conversas técnicas.
O resultado das tratativas pode determinar se o Brasil consegue evitar sobretaxas ou restrições adicionais ao acesso ao mercado americano — desfecho de alto impacto para setores exportadores como o agronegócio e a indústria de base.
