Economia

CAE aprova Otto Lobo para presidir a CVM por 19 votos a 5

Indicação polêmica avança ao plenário do Senado apesar de rejeição do mercado e resistência do Ministério da Fazenda
Senado Federal aprova Otto Lobo presidente CVM: Davi Alcolumbre preside votação polêmica no plenário

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta quarta-feira (20) a indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por 19 votos a 5.

O nome de Lobo foi aprovado ao lado de Igor Muniz, indicado para a diretoria da autarquia reguladora do mercado de capitais. Ambas as indicações seguem para votação no plenário do Senado ainda nesta quarta.

Se confirmado, Lobo terá um mandato tampão até julho de 2027, completando o período do ex-presidente João Pedro Nascimento.

Divisão no governo e pressão do mercado

A nomeação foi uma das mais contenciosas para o cargo. O Ministério da Fazenda, primeiro sob Fernando Haddad e depois com o atual titular Dario Durigan, se posicionou contra a escolha — mas não foi o bastante para alterar a decisão. O presidente Lula reforçou ao relator da indicação, senador Eduardo Braga (MDB-AM), a preferência por Lobo.

O mercado financeiro também reagiu mal ao nome. A resistência tem raízes nas decisões tomadas por Lobo durante sua passagem interina pelo comando da CVM, período em que votou de forma favorável ao Banco Master em ao menos uma situação que chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Ainda pela manhã desta quarta, antes da votação, Lobo foi sabatinado pela CAE e precisou responder sobre o caso Ambipar e as decisões favoráveis ao Banco Master — episódios que motivaram inclusive um pedido frustrado do Ministério Público ao TCU para suspender a sabatina.

O caso Ambipar

No centro das críticas está uma decisão de Lobo que dispensou a Ambipar — empresa de gestão de resíduos com histórico de transações com o Master — de realizar uma oferta pública de ações (OPA). A área técnica da CVM havia apontado uma ação orquestrada entre os empresários Nelson Tanure e Tércio Bolenghi e o Banco Master para inflar artificialmente as ações da companhia.

Em outubro de 2025, dias antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, a Ambipar teve sua recuperação judicial aprovada.

O TCU chegou a questionar formalmente a decisão sobre a Ambipar. Durante a sabatina na CCJ, Lobo defendeu sua postura e classificou as críticas como incompreensão. “Até hoje, passados dez meses, nenhum advogado, nenhum parecerista, nenhum minoritário, nenhum grupo de interesse minoritário, se apresentou à CVM para defender essa OPA. É a OPA mais curiosa da história da CVM”, afirmou aos senadores.

A indicação de Lobo para o comando da CVM é atribuída a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que publicamente negou ser o padrinho da escolha.

Na véspera, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também esteve na CAE para responder pela liquidação do Banco Master — o mesmo banco cujas relações com a gestão interina de Lobo na CVM estão no centro das críticas à sua nomeação.

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