Economia

CCJ do Senado trava PEC que tiraria Banco Central do orçamento da União

Proposta em tramitação desde 2023 prevê orçamento próprio para a autarquia e isenção das regras do arcabouço fiscal
Senado Federal bloqueia PEC que buscava autonomia financeira do Banco Central

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado adiou nesta quarta-feira (20) a votação da PEC que garante autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central. O adiamento ocorreu após pedido de vistas coletivas apresentado pelos senadores.

A proposta tramita no Senado desde 2023 e, se aprovada pelo Congresso, retiraria o BC do Orçamento da União — permitindo que a autarquia administre seus próprios recursos sem depender do caixa do governo federal.

O texto da PEC define o Banco Central como “entidade pública de natureza especial”, não vinculada a nenhum ministério ou órgão da administração pública. Com orçamento próprio, separado do Orçamento da União, a autarquia deixaria de se submeter às regras do arcabouço fiscal — o conjunto de limites de gastos que o governo federal precisa cumprir.

Na prática, o BC passaria a elaborar e executar seus próprios recursos, incluindo despesas com pessoal e investimentos.

Quem fiscaliza o orçamento do BC?

Pela proposta, a peça orçamentária do Banco Central passaria primeiro pelo crivo do Conselho Monetário Nacional (CMN) e, em seguida, seria analisada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

O texto também estabelece um teto de gastos próprio: as despesas do BC não poderão superar o valor do ano anterior, corrigido pela inflação.

O BC já opera com autonomia para fixar a política monetária — em abril, o Copom reduziu a Selic para 14,5% ao ano —, mas ainda depende do orçamento da União para custear seu próprio funcionamento, lacuna que a PEC em discussão no Senado busca corrigir.

O adiamento pela CCJ não encerra o debate. Quando aprovada no Senado, a PEC ainda precisará passar pela Câmara dos Deputados — o que torna o desfecho legislativo incerto no curto prazo.

O pedido de vistas coletivas sinaliza resistência política à proposta, especialmente entre senadores que veem riscos em uma autarquia operar sem o controle orçamentário exercido pelo governo federal.

Um debate que vai além das fronteiras

A discussão sobre os limites da autonomia de bancos centrais não é exclusividade brasileira. Nos EUA, o indicado de Trump para presidir o Federal Reserve prometeu ao Senado americano preservar a independência institucional — mas apenas nas decisões de política monetária, abrindo espaço para influência do Executivo em gestão de recursos e regulação.

No Brasil, a PEC vai além da autonomia operacional já consolidada: propõe separar também o orçamento da instituição, colocando o Banco Central em posição única no organograma do Estado.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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