O pastor Silas Malafaia enviou mensagens ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 11 de julho de 2025, chamando o deputado Eduardo Bolsonaro de “babaca” e “idiota”. O conteúdo foi recuperado pela Polícia Federal durante investigação que resultou no indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro, além de buscas contra Malafaia nesta quarta-feira (20).
A irritação de Malafaia foi motivada pela divulgação das tarifas dos Estados Unidos ao Brasil feita por Eduardo.
Mensagens e áudios de Malafaia embasam investigação
As mensagens enviadas por Silas Malafaia a Jair Bolsonaro foram localizadas no celular do ex-presidente durante apuração da Polícia Federal. No texto, Malafaia critica duramente Eduardo Bolsonaro, afirmando que o deputado “não tem experiência nenhuma” e está “dando discurso nacionalista” que prejudica Bolsonaro e favorece a esquerda. O pastor ainda diz: “Só não faço um vídeo e arrebento com ele porque por consideração a você”.
Além das mensagens, a PF encontrou um áudio em que Malafaia elogia Flávio Bolsonaro pela articulação em defesa da anistia e relata ter dado “um esporro” em Eduardo por “falar merda”. Malafaia ameaça gravar um vídeo para expor Eduardo caso ele repita o comportamento. Ele destaca: “A faca e o queijo tá na tua mão ô cacete! E nós não podemos perder isso, pô!”.
O material compõe o conjunto de provas que embasou o indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro por coação de autoridades no curso da ação penal sobre tentativa de golpe de Estado.
Desdobramentos das investigações e ações da PF
A Polícia Federal também encontrou um rascunho de pedido de asilo político na Argentina no telefone de Jair Bolsonaro. O ex-presidente e Eduardo Bolsonaro foram indiciados por tentativa de obstrução de Justiça no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.
Além disso, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Silas Malafaia, que ficou proibido de deixar o país após desembarcar de Lisboa. O pastor é investigado por supostamente tentar atrapalhar o processo judicial contra Jair Bolsonaro.
Outros desdobramentos políticos
Em paralelo, a oposição derrotou o governo ao eleger Carlos Viana como presidente da CPI do INSS, que investigará desvios em aposentadorias. Viana, alinhado a Jair Bolsonaro, rejeitou a indicação do governo para a relatoria, escolhendo um aliado para o posto.
Relatórios da PF apontam ainda que Eduardo Bolsonaro buscava garantir impunidade ao pai e articulava pressão internacional contra o STF, temendo que os Estados Unidos deixassem de apoiar caso uma “anistia light” fosse aprovada.