Uma menina brasileira de 11 anos e sua mãe morreram no domingo (26) após bombardeios israelenses atingirem a residência da família no distrito de Bint Jeil, no sul do Líbano. O pai, de nacionalidade libanesa, também não sobreviveu.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou as mortes nesta segunda-feira (27) e informou que um filho do casal — irmão da criança — foi levado ao hospital.
Os ataques ocorreram enquanto o cessar-fogo entre Israel e o Líbano, prorrogado pelo presidente americano Donald Trump até a segunda quinzena de maio, ainda estava formalmente em vigor.
Cessar-fogo descumprido por ambos os lados
Israel iniciou novos ataques no sul do Líbano no domingo (26), dias após Donald Trump anunciar, em 23 de abril, a renovação da trégua por mais três semanas. O cessar-fogo havia entrado em vigor em 16 de abril com duração inicial de dez dias — e foi saudado pelos mercados globais, com o dólar recuando para R$ 4,98 na abertura do pregão seguinte.
O exército israelense justificou a ofensiva alegando que o Hezbollah, grupo extremista apoiado pelo Irã, cometeu “repetidas violações do cessar-fogo”. Pelos termos do acordo firmado em abril, Israel mantém o direito de realizar operações contra o grupo mesmo durante a trégua.
A ofensiva foi precedida por alertas de evacuação emitidos para moradores de sete cidades e vilarejos da região. A família brasileira, no entanto, encontrava-se em sua residência em Bint Jeil no momento do bombardeio, conforme confirmou o Itamaraty.
Violência persiste apesar da trégua
Na quarta-feira anterior (22), pelo menos cinco pessoas morreram em um ataque israelense no sul do Líbano, entre elas uma jornalista libanesa de 43 anos. Na quinta-feira (23), foguetes do Hezbollah atingiram o norte de Israel e foram interceptados — episódios que escancararam a fragilidade do acordo e antecederam diretamente a morte da família brasileira.
Em nota, o Itamaraty expressou “sinceras condolências aos familiares das vítimas” e reiterou a “mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah”. O comunicado condena ainda as “demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano” e “a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses”.
Posição diplomática do Brasil
O governo brasileiro vem exigindo, ao longo das últimas semanas, a retirada imediata das tropas israelenses do Líbano e defende que o cessar-fogo entre Israel e Irã seja estendido ao território libanês — posição que o Itamaraty já havia cobrado publicamente desde a trégua EUA-Irã.
A morte da família em Bint Jeil ocorre semanas depois de um capitão-tenente da Marinha relatar, de dentro da missão da ONU (Unifil), a escalada dos bombardeios israelenses no mesmo sul do Líbano — sinalizando que a tragédia desta semana não surgiu do nada.
