A União Europeia alertou nesta quarta-feira (8) que a crise de energia provocada pela guerra com o Irã não terá vida curta. A declaração foi feita pela porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonen à agência Reuters.
O aviso coincide com o dia seguinte ao cessar-fogo de duas semanas firmado entre Estados Unidos e Irã — acordo que incluiu a reabertura do Estreito de Ormuz e derrubou o preço do petróleo abaixo de US$ 100 por barril pela primeira vez em semanas.
A vulnerabilidade do bloco europeu fica clara nos números apresentados pela Comissão: 8,5% do gás natural liquefeito consumido pela União Europeia, 7% do petróleo e 40% do combustível de aviação e diesel passam pelo Estreito de Ormuz — a rota que o Irã bloqueou durante o conflito, cortando o abastecimento de uma fatia significativa da matriz energética europeia.
A reabertura do estreito, confirmada pelo site Vessel Finder com dezenas de embarcações em circulação nesta quarta, aliviou imediatamente os mercados. Os futuros do Brent despencaram 16,43%, chegando a US$ 94,26 o barril por volta das 9h15 (horário de Brasília). O WTI recuou ainda mais, 20%, para US$ 92,30 o barril.
Desde a primeira semana de conflito, analistas já projetavam que os efeitos do bloqueio de Ormuz poderiam se estender por meses — prognóstico que a Comissão Europeia agora confirma oficialmente. A guerra no Irã havia elevado o petróleo a US$ 90 já na largada, com alertas de meses de combustível caro para consumidores e indústrias.
O histórico recente das negociações revela o quão improvável parecia o acordo. Na segunda-feira, o Irã ainda rejeitava qualquer reabertura imediata do Estreito de Ormuz e descartava o cessar-fogo — tornando a virada desta terça surpreendente para analistas e mercados. Leia como o Irã mudou de posição em menos de 48 horas e o que está por trás do recuo.
Na véspera do cessar-fogo, o diretor da Agência Internacional de Energia já classificava o momento como a maior crise energética da história — superando os choques de 1973, 1979 e 2022 somados —, o que explica por que a UE não acredita em resolução rápida. Veja a análise completa da IEA sobre o impacto histórico do conflito com o Irã.
O fim definitivo da guerra ainda depende de um acordo permanente entre Irã e Estados Unidos. Enquanto as negociações não avançam, a Europa permanece vulnerável a novos choques de abastecimento — e consumidores e indústrias seguem expostos à volatilidade dos preços de energia.
