Economia

FMI: guerras derrubam produção em 7% e deixam cicatrizes econômicas por mais de uma década

Pesquisa analisa conflitos desde 1946 e aponta que perdas superam as de crises financeiras e desastres naturais
Custos econômicos de guerras FMI: conflito Irã e tensão geopolítica

O Fundo Monetário Internacional divulgou nesta quarta-feira (8) uma pesquisa que quantifica, com dados históricos de 1946 até hoje, o peso econômico das guerras: países que abrigam combates perdem, em média, 7% da produção em cinco anos — e as cicatrizes persistem por mais de uma década.

O levantamento integra o próximo relatório Perspectiva Mundial do FMI, cuja edição completa será publicada na terça-feira. Os dados abrangem economias em tempos de guerra desde o pós-Segunda Guerra e os gastos militares de 164 países.

Em 2024, mais de 35 países registraram conflitos em seus territórios, e cerca de 45% da população mundial vivia em nações afetadas por guerras — os níveis mais altos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo o fundo.

A pesquisa é categórica: as perdas de produção decorrentes de conflitos “normalmente excedem aquelas associadas a crises financeiras ou desastres naturais graves”. O impacto vai além do PIB — guerras contribuem para depreciação sustentada da taxa de câmbio, queda das reservas internacionais e alta persistente da inflação, à medida que os desequilíbrios externos ampliam o estresse macroeconômico.

Vizinhos e parceiros comerciais também pagam a conta

Países que travam conflitos externos podem escapar da destruição física em solo próprio, mas o choque se propaga. Parceiros comerciais e vizinhos absorvem perdas por meio de interrupções no comércio, fuga de capitais e instabilidade regional — mesmo sem um soldado em seu território.

O relatório não trata especificamente da guerra no Oriente Médio nem do cessar-fogo de duas semanas anunciado pelo presidente Donald Trump na noite de terça-feira, mas seus dados históricos oferecem o pano de fundo para entender as consequências do conflito em curso.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, antecipou à Reuters, na segunda-feira, que o fundo deve cortar a previsão de crescimento global e elevar as projeções de inflação como reflexo direto da guerra. Já em março, Georgieva alertava que a economia mundial “está sendo testada mais uma vez” pelo conflito — previsão que agora se materializa nos dados desta pesquisa.

Na terça-feira, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, reforçou o alerta: a guerra resultará em crescimento mais lento e inflação mais alta, independentemente da velocidade com que o conflito chegue ao fim.

Impacto que vai além do petróleo

A queda de 7% na produção que o FMI projeta para países em conflito já tem rosto concreto: desde o início das hostilidades, os efeitos econômicos se espalharam por setores como fertilizantes, medicamentos e semicondutores.

O relatório completo do Perspectiva Mundial será publicado na próxima terça-feira, com projeções atualizadas para crescimento global e inflação em um cenário de conflitos no nível mais alto em décadas.