Saúde

Covid-19 avança há seis semanas no Brasil e sinais de alta já chegam às internações

Risco segue baixo em todo o país, mas Fiocruz vê aumento de casos graves em SP, RJ, SC, MS e DF; vacinar grupos vulneráveis é a prioridade
Vírus SARS-CoV-2 em destaque diante do Ministério da Saúde, ilustrando a alta da Covid no Brasil

A alta da Covid-19 no Brasil já dura seis semanas. Segundo dados do Ministério da Saúde analisados até a semana de 25 a 31 de outubro, ela aparece em 19 unidades da Federação e em todas as faixas etárias.

O aumento começa a chegar aos hospitais. O boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na quinta-feira (5), identificou sinais de crescimento dos casos graves em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

Mesmo assim, o ministério classifica como de baixo risco a atividade da doença em todos os estados.

O que os números mostram

Desde janeiro, o país notificou 118.851 casos de síndrome gripal por Covid-19, segundo dados atualizados até 4 de novembro. O número não mostra todas as infecções, porque muitas não são diagnosticadas nem notificadas.

O sinal mais antigo vem dos laboratórios privados: a taxa de positividade, que é a proporção de testes com resultado positivo, sobe há nove semanas. Esse indicador mostra mudanças na circulação do vírus mesmo quando o volume de testes varia.

A tendência de seis semanas é calculada com modelos estatísticos que corrigem os atrasos de notificação. Ela não quer dizer que houve alta em todas as semanas, e sim que o período como um todo mostra crescimento.

Internações e mortes no ano

Até 31 de outubro, o Brasil registrou 3.479 internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com detecção do SARS-CoV-2 e 437 mortes em quadros graves nos quais o vírus foi identificado. Alguns desses pacientes podem ter tido mais de um vírus respiratório ao mesmo tempo.

No Mato Grosso, o coronavírus já é o principal responsável pelo aumento da SRAG. No conjunto do país, porém, as internações por doenças respiratórias estão em queda. Segundo a Fiocruz, nas últimas quatro semanas o vírus apareceu em 8,5% dos casos graves com resultado positivo para vírus respiratórios e em 24,1% das mortes desse grupo. Os percentuais mostram a participação do vírus nos registros, não o risco de morte de quem se infecta.

Variante dominante

Até a semana epidemiológica 42, o país enviou 2.199 sequenciamentos genéticos para a plataforma internacional Gisaid, com 127 linhagens identificadas. Cerca de 90% das amostras eram da linhagem XFG ou de suas descendentes. Ser a variante mais comum não quer dizer que ela causou a alta nem que provoca uma doença mais grave.

Onda esperada, sem mudança na gravidade

Em entrevista ao g1, o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), disse que o movimento é esperado nos vírus respiratórios: novas variantes e mais pessoas suscetíveis favorecem ondas periódicas. Segundo ele, não há sinal de mudança na gravidade da doença.

Quando mais gente se infecta, o número absoluto de complicações também cresce, mesmo que a proporção de casos graves continue a mesma. A alternância entre vírus é conhecida: no inverno, o VSR liderou o avanço da SRAG no país. Antes disso, em maio, a Fiocruz havia colocado a maioria dos estados em alerta, quando a influenza dominava.

Quem deve se vacinar

Para Kfouri, os dados não justificam mudar as recomendações para todos. A prioridade é vacinar quem tem mais risco: idosos, imunocomprometidos e pessoas com doenças crônicas. Pelo Calendário Nacional de Vacinação, idosos a partir de 60 anos tomam doses a cada seis meses, gestantes se vacinam a cada gravidez e crianças pequenas recebem duas ou três doses, conforme a vacina. A pesquisadora Tatiana Portella, responsável pelo InfoGripe, também reforçou a importância da vacinação.

Quem tiver sintomas respiratórios deve tomar cuidado para não transmitir o vírus, principalmente a pessoas vulneráveis, e procurar atendimento se os sintomas piorarem.