A maior parte dos estados brasileiros enfrenta níveis de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo o novo boletim do InfoGripe, divulgado pela Fiocruz.
Os dados cobrem a semana epidemiológica 16, entre 19 e 25 de abril, e apontam crescimento de casos em 16 unidades da federação nas últimas seis semanas.
Apenas Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul estão fora do grupo com incidência mais elevada.
VSR e influenza A lideram o avanço respiratório no país
Entre os vírus em circulação, o vírus sincicial respiratório (VSR) preocupa pelo crescimento registrado em praticamente todas as regiões — Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. O VSR é a principal causa de quadros graves em crianças pequenas, tornando sua expansão nacional especialmente crítica para serviços de pediatria e urgência.
A influenza A segue em alta sobretudo no Centro-Sul do país, com sinais de recuo em partes do Norte e Nordeste. Nos óbitos contabilizados desde o início do ano, o vírus influenza lidera as causas de morte, seguido por Covid-19 e rinovírus.
Mesmo com menor incidência recente, o coronavírus ainda aparece como uma das principais causas de morte entre pessoas mais velhas — reforçando que o vírus segue representando risco real para grupos vulneráveis.
O cenário não surgiu do nada: até 17 de abril, o Brasil já acumulava 4.181 casos de SRAG por influenza e 259 mortes — números que superavam os do mesmo período de 2025 e apontavam para uma temporada antecipada e mais intensa.
Capitais em alerta e vacinação como principal saída
Treze das 27 capitais brasileiras registram níveis elevados de atividade respiratória com tendência de crescimento. Belém, Recife, Brasília e Vitória estão entre os centros urbanos que concentram maior preocupação neste momento.
Estados como Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Distrito Federal integram o grupo que apresentou expansão contínua de casos nas últimas seis semanas — padrão que, segundo o boletim, acompanha o período sazonal de circulação de vírus respiratórios.
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, reafirma que a vacinação é a principal estratégia para evitar formas graves da doença, especialmente entre grupos prioritários. Ela destaca que gestantes podem receber a vacina contra o VSR a partir da 28ª semana de gravidez, protegendo os bebês nos primeiros meses de vida — fase em que o organismo ainda não desenvolveu defesas suficientes contra o vírus.
O InfoGripe é um sistema de monitoramento do SUS que acompanha casos de síndrome respiratória grave em todo o território nacional. Seus dados orientam as ações de vigilância epidemiológica e a resposta a emergências de saúde pública no Brasil.
