Sites e veículos jornalísticos devem ganhar uma forma única de dizer se aceitam que seus conteúdos sejam usados no treinamento de inteligência artificial. Anthropic, OpenAI, Google e Microsoft anunciaram apoio a um padrão comum para essa sinalização.
Hoje é preciso configurar um bloqueio separado para o rastreador de cada empresa. O padrão troca isso por um sinal compartilhado no robots.txt, o arquivo que orienta robôs sobre o acesso às páginas da internet.
Como o padrão vai funcionar
Quem administra um site e quer limitar a coleta por empresas de IA precisa hoje criar restrições específicas para cada rastreador. Com o novo mecanismo, uma única preferência registrada no robots.txt passa a valer para todas as empresas que aderirem.
A proposta partiu de Kevin Kelley, engenheiro da Anthropic, e foi apresentada na IETF (Internet Engineering Task Force), a organização que desenvolve os padrões técnicos da internet.
Calendário de adoção
O prazo muda de empresa para empresa. A Anthropic já dá suporte ao sinal. A OpenAI pretende implementá-lo nos próximos meses. Google e Microsoft informaram que vão aderir em 2027.
A Meta também declarou apoio à iniciativa, mas não indicou quando vai implementá-la. A empresa é alvo de questionamentos sobre termos comerciais que poderiam permitir a coleta ampla de conteúdos de sites jornalísticos.
Limites do mecanismo
Para os veículos de comunicação, o principal ganho é prático: uma mesma preferência poderá ser comunicada a diferentes empresas de IA, sem a necessidade de manter uma regra para cada uma.
O sinal, porém, não é uma garantia técnica contra a coleta indevida. Ele não impede o acesso às páginas, e sua eficácia depende de as empresas respeitarem a indicação feita pelos sites. Ou seja, o padrão organiza a comunicação entre publicações e desenvolvedores, mas não assegura que o conteúdo fique fora do treinamento de modelos.
O anúncio conjunto também mostra que as concorrentes do setor seguem se alinhando em temas comuns. Em setembro, OpenAI, Anthropic e Google já haviam anunciado cooperação em segurança de IA, mesmo sem isenção antitruste do governo americano.