Tecnologia

Google levará anúncios ao Modo IA no Brasil até o fim de 2026

Expansão do formato publicitário coincide com tombo de quase 12% das ações da Alphabet após balanço que frustrou investidores
Logo 3D do Google sobre fachada de vidro azul, ilustrando anúncios no Modo IA Google no Brasil

Quem usa o Modo IA do Google no Brasil vai começar a ver anúncios nas respostas geradas por inteligência artificial nos próximos dois meses. O país está na próxima leva da expansão, ao lado de México e Reino Unido.

O plano foi divulgado por Shashi Thakur, vice-presidente e gerente-geral do Google Ads, no blog oficial da empresa. A mudança adapta a publicidade às buscas em formato de conversa, nas quais os usuários fazem perguntas mais longas.

Dez países já recebem o formato

A expansão começou por Austrália, Canadá, Índia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Cingapura. Segundo Thakur, a meta é levar os anúncios a outros mercados, incluindo o brasileiro, até o fim do ano.

A ferramenta foi liberada no Brasil em setembro de 2025, com resumos gerados por IA e links integrados às respostas. Agora, passará a exibir também publicidade.

De acordo com o executivo, as consultas no Modo IA são, em média, três vezes mais longas que as buscas tradicionais. Isso permitiria ao Google interpretar melhor a intenção de quem pesquisa e mostrar anúncios de produtos e serviços ligados ao que a pessoa procura.

Thakur afirma ainda que a taxa de cliques dos anúncios pagos, ou seja, a proporção entre cliques e exibições, já é semelhante à dos resultados orgânicos de produtos, que aparecem sem que ninguém pague pela posição.

Publicidade que acompanha a conversa

Nos Estados Unidos, a empresa estreia os anúncios multiturno, que podem surgir em perguntas complementares feitas durante a mesma interação com a IA. A ideia é que a publicidade siga as dúvidas que aparecem ao longo da pesquisa.

Os anúncios trarão o rótulo “Patrocinado”. O Google diz que continuará testando novos formatos para garantir que a publicidade seja útil e relevante.

Pressão de Wall Street sobre a Alphabet

A ofensiva publicitária chega em um momento delicado para a Alphabet, controladora do Google. As ações da empresa fecharam em queda de 11,7% na quinta-feira (29), depois de um balanço trimestral que decepcionou o mercado. Durante o pregão, a perda chegou a 12,6%.

A receita com publicidade nas buscas ficou abaixo das expectativas, e a companhia registrou aceleração no consumo de caixa, puxada pelos investimentos em inteligência artificial.

O efeito se espalhou pelo mercado americano: o Nasdaq, índice com forte presença de empresas de tecnologia, recuou mais de 1% no dia, enquanto investidores reavaliavam os custos da IA e os resultados das grandes empresas do setor.

A dúvida central é se essas companhias conseguirão converter os investimentos em IA em receita suficiente para compensar os gastos. Para a Alphabet, isso coloca a publicidade nas buscas no centro da discussão.

O movimento também vem pouco depois de outra mudança no mesmo produto. Duas semanas antes, o Google passou a dar mais destaque a links de notícias no Modo IA, em meio a queixas de queda de tráfego. Agora, avança na monetização do formato.