Meio ambiente

Outubro de 2026 bate recorde de calor e ano deve superar 1,5°C pela segunda vez

Copernicus aponta terceiro mês seguido acima do limite do Acordo de Paris e anomalia inédita do El Niño no Pacífico
Mapa térmico do Pacífico com El Niño em vermelho, simbolizando o outubro mais quente já registrado

O planeta registrou em 2026 o mês de outubro mais quente da série histórica, informou nesta sexta-feira (6) o Copernicus, serviço climático da União Europeia.

Com o novo recorde, é praticamente certo que 2026 se torne o segundo ano, depois de 2024, com temperatura média global acima de 1,5°C em relação ao período pré-industrial.

Outubro foi o terceiro mês consecutivo acima desse patamar, em meio à intensificação do El Niño no Pacífico tropical.

O que significa passar do limite de 1,5°C

Segundo o Copernicus, não é só o ano que deve romper a marca: a média de quatro anos, de 2023 a 2026, também deve ficar acima de 1,5°C.

Esse é o teto que os países se comprometeram a perseguir no Acordo de Paris, de 2015. A meta, porém, considera uma média de longo prazo, por isso um único ano acima do limite não significa que ele tenha sido oficialmente ultrapassado.

A tendência não é nova. Em março, relatório da OMM já mostrava que os dez anos mais quentes da história foram os últimos dez, com 2024 mantendo o recorde ao superar 1,5°C.

Cientistas alertam que um aquecimento além desse nível aumenta drasticamente o risco de ondas de calor severas, secas, inundações e outros impactos climáticos.

Chance de novo recorde anual

O serviço europeu estima que 2026 tem grande probabilidade de terminar como o segundo ano mais quente já medido. Há cerca de 20% de chance de igualar ou superar 2024, dono do recorde atual.

A sequência de meses acima do limite começou no meio do ano. Em setembro, o Copernicus já havia apontado agosto como o mês mais quente da série histórica, com 1,65°C acima do patamar pré-industrial, sequência que agora chega ao terceiro mês consecutivo.

Oceanos e El Niño em níveis inéditos

Fora das regiões polares, a temperatura média da superfície do mar chegou a 20,95°C em outubro, a mais alta já registrada para o mês. O recorde anterior para outubro havia sido estabelecido em 2023.

O dado oceânico vem na esteira do El Niño declarado em junho, quando os mares já haviam alcançado a maior temperatura para o mês.

Anomalia recorde no Pacífico

Na região Niño 3.4, faixa central-equatorial do Pacífico usada para monitorar o fenômeno, a anomalia mensal da temperatura do mar atingiu 3,21°C acima da média, um recorde histórico.

A marca supera os picos observados em episódios anteriores de El Niño muito intensos, e as condições do fenômeno continuaram a se intensificar ao longo de outubro, segundo o Copernicus.