O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou nesta quinta-feira (5) que alguém entrou sem autorização em sistemas com dados de clientes. Entre as informações acessadas estão nome, CPF, e-mail e data de nascimento.
O FGC diz que suspeitou da invasão em 26 de outubro. Segundo a entidade, todas as pessoas atingidas foram avisadas, mas ela não informou quantas são.
O que o FGC fez após detectar a invasão
De acordo com o fundo, as primeiras medidas foram restringir o acesso às áreas dos sistemas atingidas e bloquear contas usadas de forma indevida. As evidências foram guardadas para a investigação.
O FGC também começou a revisar quem tem permissão para acessar cada sistema e como funcionam seus controles de segurança. A entidade informou que avisou a ANPD sobre o incidente.
Além dos dados cadastrais, o incidente atingiu informações sobre o pagamento de garantias, os tributos retidos no resgate e o investimento garantido. Segundo o fundo, até agora não há evidências de que os dados tenham sido divulgados ou usados de forma indevida, nem de perdas financeiras.
O papel do FGC no sistema financeiro
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que funciona como um seguro: protege o dinheiro de depositantes e investidores quando um banco entra em dificuldade. Foi o que aconteceu no caso do Banco Master.
Com a liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro de 2025, o fundo passou a responder pelo pagamento das garantias aos credores, respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ no conglomerado financeiro. O FGC estimou em R$ 40,6 bilhões o valor necessário para cobrir os credores do Banco Master, do Master de Investimento e do Letsbank, e os pagamentos começaram em janeiro de 2026.
A crise do Master deu ainda mais visibilidade ao fundo, que já tinha sido alvo de novas regras do Banco Central para impedir que bancos usassem o FGC como isca para atrair investidores. Na Câmara, tramita ainda um projeto do deputado Eduardo Velloso (União-AC) para restringir o uso da garantia do FGC como principal atrativo em publicidade de produtos financeiros. A proposta recebeu parecer favorável, com substitutivo, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e aguarda deliberação na Comissão de Defesa do Consumidor.
O que ainda não se sabe sobre o vazamento
Não se sabe o tamanho do vazamento de dados. O FGC não divulgou quantos clientes foram afetados nem explicou como os invasores chegaram aos sistemas.
O anúncio público veio dez dias depois que a suspeita foi identificada. Nesse período, segundo a entidade, os afetados foram avisados e as medidas de contenção começaram a ser tomadas.
Um caso parecido ocorreu em junho de 2025, quando os Correios avisaram clientes sobre o vazamento de CPF, e-mail e data de nascimento e também comunicaram o incidente à ANPD.
O FGC diz que a revisão de permissões e controles de segurança continua e que a investigação segue em andamento.