Economia

Copom decide se mantém Selic em 13,75% na primeira reunião após reeleição de Lula

Bancos se dividem entre pausa e corte para 13,50%, enquanto o mercado eleva projeções de inflação e dólar
Sede do Banco Central em Brasília simbolizando a decisão do Copom sobre Selic em meio a juros altos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira, após as 18h, se mantém a Selic em 13,75% ao ano ou se faz o sexto corte seguido. É a primeira reunião do colegiado desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Como mostrou o g1, os economistas de bancos estão divididos. A maioria espera redução para 13,50%, mas uma parte considerável prevê pausa no ciclo de cortes depois da piora das expectativas para inflação e dólar.

Expectativas pioraram após a eleição

Com a vitória de Lula confirmada, o mercado financeiro revisou para cima as projeções de inflação e do dólar. Também reduziu as estimativas de crescimento da economia e passou a prever juros mais altos do que antes.

A mudança de humor chega no meio de um ciclo de afrouxamento. Em agosto, o Copom fez o quarto corte seguido e levou a taxa a 14%, mesmo com a pressão do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio. Em setembro veio o quinto, que levou a Selic a 13,75%, o menor patamar desde março de 2025.

Como o BC decide

A Selic é o principal instrumento do BC para conter a inflação, que pesa sobretudo sobre a população mais pobre. No sistema de metas, projeções alinhadas ao alvo abrem espaço para cortes. Projeções acima dele levam o Copom a manter ou subir os juros.

Desde o início de 2025, a meta é de 3%, considerada cumprida se a inflação ficar entre 1,5% e 4,5%. Como a Selic leva tempo para fazer efeito na economia, o comitê olha para a inflação esperada à frente, e não só para a dos últimos meses. Hoje, o chamado “horizonte relevante” é o segundo trimestre de 2028.

O BC leva em conta as estimativas do mercado, mas trabalha com projeções próprias. Por isso, a piora das expectativas não entra automaticamente no cenário usado para definir os juros.

Bancos apostam em caminhos diferentes

O C6 Bank, em comunicado assinado pelo economista-chefe Felipe Salles, projeta a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, o que interromperia a sequência de cortes.

Já a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, manteve a aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,50%. Depois, segundo ela, o BC deve sinalizar uma pausa no ciclo na reunião seguinte.

Brasil no topo dos juros reais

Com a taxa no patamar atual, o país lidera um ranking de 40 países feito pelos sites MoneYou e Lev Intelligence. Considerando os juros reais, que descontam a inflação estimada para os 12 meses seguintes, a taxa brasileira é de 8,45% ao ano. A Rússia aparece em segundo lugar, com 6,79%.