O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (16) para decidir os rumos da taxa básica de juros da economia. A expectativa do mercado financeiro é de um quinto corte consecutivo, que levaria a Selic de 14% para 13,75% ao ano.
Se confirmado, o novo patamar será o menor desde março de 2025, quando o Banco Central encerrou mais de um ano de juros no maior nível em duas décadas. O anúncio da decisão está previsto para depois das 18h desta quarta.
Por que o Copom deve seguir cortando
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para conter pressões inflacionárias — efeito que recai com mais força sobre a população de baixa renda, mais exposta à alta de preços de itens essenciais. Desde o início de 2025, o país opera sob o sistema de meta contínua de inflação, fixada em 3%, com banda de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Quando as projeções ficam dentro desse intervalo, o Copom tem espaço para reduzir a Selic; acima da banda, a tendência é de manutenção ou alta.
O atual ciclo de afrouxamento monetário teve início em março de 2026, quando o BC reduziu os juros pela primeira vez desde 2024, encerrando mais de um ano de manutenção da Selic no patamar mais alto em duas décadas. Para o Itaú, banco que também projeta o corte para 13,75% ao ano nesta quarta, o cenário doméstico segue marcado pela moderação da atividade econômica combinada a um mercado de trabalho ainda aquecido.
Guerra no Oriente Médio não muda a aposta
A continuidade do conflito no Oriente Médio elevou o preço internacional do petróleo, o que tem potencial de pressionar a inflação brasileira por meio do aumento dos combustíveis. Ainda assim, a maior parte do mercado financeiro mantém a expectativa de corte. Em maio, quando as projeções de inflação chegavam a 4,80% sob pressão do mesmo conflito, o Copom já havia sinalizado que os riscos geopolíticos não interromperiam o ciclo de cortes — argumento que volta a balizar a decisão desta quarta-feira.
O que esperar do anúncio
A decisão do Copom será divulgada em comunicado após as 18h desta quarta-feira, horário em que o mercado costuma monitorar também o tom da ata e eventuais sinalizações sobre os próximos passos do ciclo de cortes. Confirmado o movimento, a Selic chegará a 13,75% ao ano, o menor nível desde março de 2025 — ou seja, em um intervalo de um ano e meio.
Analistas acompanham de perto se o comitê manterá o ritmo de reduções nas próximas reuniões ou se a alta do petróleo, decorrente da guerra no Oriente Médio, passará a exigir mais cautela. Por ora, a leitura predominante entre economistas de mercado, incluindo o Itaú, é a de que a atividade econômica em moderação e a ausência de piora relevante nas projeções de inflação sustentam a continuidade do afrouxamento monetário nos próximos meses.