Economia

Copom pode levar Selic a 13,75% ao ano, menor nível desde 2025

Copom corta Selic para 13,75% por unanimidade pela 5ª vez seguida; dólar recua após decisão em linha com o esperado pelo mercado
Reunião do Copom que deve cortar a Selic para 13,75% ao ano sob pressão do petróleo e mercado

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu na quarta-feira (16) e decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros pela quinta vez consecutiva, cortando a Selic em 0,25 ponto percentual — de 14% para 13,75% ao ano. A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado financeiro, levando os juros ao menor patamar desde março de 2025.

O resultado foi anunciado após as 18h da quarta-feira (16). Na quinta-feira (17), o mercado repercutiu a decisão com queda do dólar, que recuava 0,38% pela manhã, cotado a R$ 5,1318. Os preços internacionais do petróleo também operavam em baixa, após notícias de que a Arábia Saudita estaria oferecendo cargas adicionais do óleo — amenizando preocupações sobre a oferta da commodity.

Por que o Copom deve seguir cortando

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para conter pressões inflacionárias — efeito que recai com mais força sobre a população de baixa renda, mais exposta à alta de preços de itens essenciais. Desde o início de 2025, o país opera sob o sistema de meta contínua de inflação, fixada em 3%, com banda de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Quando as projeções ficam dentro desse intervalo, o Copom tem espaço para reduzir a Selic; acima da banda, a tendência é de manutenção ou alta.

O atual ciclo de afrouxamento monetário teve início em março de 2026, quando o BC reduziu os juros pela primeira vez desde 2024, encerrando mais de um ano de manutenção da Selic no patamar mais alto em duas décadas. Para o Itaú, banco que havia projetado o corte para 13,75% ao ano, o cenário doméstico segue marcado pela moderação da atividade econômica combinada a um mercado de trabalho ainda aquecido. A decisão acompanha também a desaceleração da inflação: em agosto, o IPCA registrou queda de 0,32%, a maior deflação desde 2022, segundo o IBGE.

A tarefa do Banco Central, contudo, não está isenta de pressões. Em junho, a inflação acumulou seis meses consecutivos acima do teto da banda — o que obrigou o BC a publicar uma carta aberta explicando os motivos do descumprimento da meta. Ao tomar suas decisões, a instituição mira o futuro, não o presente: mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para ter efeito pleno na economia, e o Copom já está, neste ciclo, mirando a inflação projetada para o primeiro trimestre de 2028.

A ata da reunião, divulgada nesta terça-feira (22), detalhou os motivos do colegiado para o corte: a desaceleração da atividade econômica, da inflação e os efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda. Segundo o documento, os indicadores divulgados desde o encontro anterior mostram moderação gradual da atividade, sobretudo nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, embora a economia continue resiliente e o mercado de trabalho, aquecido. A leitura mais recente do Produto Interno Bruto (PIB), referente ao segundo trimestre, confirmou essa desaceleração, mais intensa nas atividades e nos componentes da demanda mais sensíveis ao nível dos juros — movimento que o Copom classificou como “elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”. A ata registrou ainda que tanto o índice cheio de inflação quanto a média das medidas subjacentes perderam força nos últimos meses, ficando, em 12 meses, abaixo do limite superior da banda de tolerância — embora ainda acima do centro da meta —, e que os dados do mercado de crédito são compatíveis com a desaceleração da economia sob política monetária restritiva.

Apesar da melhora, o comitê manteve tom cauteloso na ata: as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes analisados e, na avaliação do Copom, “em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”. Entre os fatores que poderiam contribuir para uma inflação menor, o comitê citou uma desaceleração mais forte da economia brasileira e mundial e uma eventual queda nos preços das commodities.

Guerra no Oriente Médio não muda a aposta

A continuidade do conflito no Oriente Médio havia elevado o preço internacional do petróleo, o que tem potencial de pressionar a inflação brasileira por meio do aumento dos combustíveis. Ainda assim, o Copom confirmou o corte, como esperado pela maior parte do mercado financeiro. Em maio, quando as projeções de inflação chegavam a 4,80% sob pressão do mesmo conflito, o comitê já havia sinalizado que os riscos geopolíticos não interromperiam o ciclo de cortes — e manteve essa postura na quarta-feira (16). Em seu comunicado, o comitê afirmou que o ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas, e sinalizou que segue monitorando a situação fiscal do país.

Decisão na contramão do Fed e próximos passos

O corte da Selic ocorreu na mesma data em que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, elevou suas taxas de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano — a primeira alta americana desde julho de 2023. O movimento contrário entre os dois bancos centrais reflete contextos econômicos distintos: enquanto os EUA ainda combatem pressões inflacionárias, o Brasil opera em ciclo de afrouxamento sustentado pela desaceleração da atividade e pela queda nos índices de preços.

Analistas acompanham de perto se o Copom manterá o ritmo de reduções nas próximas reuniões ou se a alta do petróleo, decorrente da guerra no Oriente Médio, passará a exigir mais cautela. Por ora, a leitura predominante entre economistas de mercado, incluindo o Itaú, é a de que a atividade econômica em moderação e a ausência de piora relevante nas projeções sustentam a continuidade do afrouxamento monetário nos próximos meses. Ainda assim, as estimativas do mercado financeiro colocam a inflação em 4,9% em 2026, 4,3% em 2027 e 3,80% em 2028 — todas acima da meta central de 3%, uma variável que o Copom deverá levar em conta nas reuniões seguintes.

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