Saúde

Vacinas contra gripe de 2027 terão três novas cepas, determina Anvisa

Norma separa os vírus exigidos conforme a tecnologia de fabricação e vale para as doses aplicadas a partir de fevereiro
Sede da Anvisa em Brasília ilustrando as novas cepas da vacina da gripe 2027 definidas pela agência

As vacinas contra gripe aplicadas no Brasil a partir de 1º de fevereiro de 2027 terão nova composição. A Anvisa definiu as três cepas do vírus influenza que os imunizantes destinados ao Hemisfério Sul deverão conter na próxima temporada.

A regra está na Instrução Normativa nº 475, de 29 de outubro, publicada nesta terça-feira (3) no Diário Oficial da União. O texto já está em vigor e revoga a norma de maio deste ano que fixava a composição anterior.

Cepas variam conforme a tecnologia de produção

A principal novidade da norma é separar as exigências de acordo com o método de fabricação do imunizante. Nos dois casos, a fórmula reúne dois vírus do tipo A e um do tipo B, da linhagem Victoria.

Vacinas produzidas em ovos

Os imunizantes fabricados com a tecnologia baseada em ovos deverão incluir vírus similares ao A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, ao A/Darwin/1454/2025 (H3N2) e ao B/Tokyo/EISI13-175/2025.

Cultura celular, recombinantes e ácidos nucleicos

Já as vacinas feitas por outras plataformas, como cultura celular, proteínas recombinantes ou ácidos nucleicos, mantêm os mesmos componentes H1N1 e H3N2, mas trocam a cepa B pela similar ao B/Pennsylvania/14/2025.

A menção às plataformas de ácidos nucleicos chama atenção: a categoria ganhou destaque em agosto, quando a FDA aprovou a primeira vacina de gripe feita com mRNA, a mFlusiva, da Moderna.

A Anvisa também determinou que os rótulos das doses para o Hemisfério Sul tragam a expressão “CEPAS 2027 HEMISFÉRIO SUL”.

Doses do Hemisfério Norte ficam restritas ao PNI

A instrução normativa também fixa a composição das vacinas voltadas ao Hemisfério Norte na temporada 2026-2027. As cepas são as mesmas definidas para o Hemisfério Sul, com as mesmas variações por tecnologia de fabricação.

O uso desses produtos no país, porém, fica limitado aos programas do Ministério da Saúde, para responder a situações epidemiológicas específicas definidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Nesse caso, os rótulos devem exibir “CEPAS 2026-2027 HEMISFÉRIO NORTE”.

A troca de cepas ocorre depois de uma temporada de gripe que chegou antes da hora em 2026, com 259 mortes confirmadas só até meados de abril. A atualização segue a lógica já aplicada pela agência em julho, quando exigiu a reformulação das vacinas contra Covid-19 para acompanhar a evolução das variantes do vírus.