Saúde

FDA aprova primeira vacina contra gripe feita com tecnologia mRNA

Moderna planeja vender a mFlusiva em breve, após reviravolta da FDA sobre a análise do imunizante
Renderização 3D de vírus com proteínas spike simboliza tecnologia da vacina de mRNA contra gripe aprovada

A Food and Drug Administration (FDA) aprovou nesta quarta-feira (5) a mFlusiva, primeira vacina contra a gripe fabricada com tecnologia de RNA mensageiro, a mesma plataforma usada nos imunizantes contra a Covid-19.

O novo produto da farmacêutica Moderna é indicado para adultos a partir de 50 anos e deve chegar a pontos de venda nos Estados Unidos em breve.

Estudo mostrou redução de 27% nos casos de gripe

A aprovação se baseou em um estudo com 40 mil participantes, que comparou a mFlusiva a outra vacina contra a gripe já amplamente utilizada nos Estados Unidos. Os resultados mostraram uma redução de cerca de 27% nos casos de influenza entre quem recebeu o novo imunizante.

Para o público com 65 anos ou mais, a FDA concedeu uma aprovação acelerada, baseada em um estudo menor. Segundo a Moderna, os dados indicaram uma resposta imunológica robusta em comparação com uma vacina de alta dose já usada nessa faixa etária. A farmacêutica ainda precisará conduzir um estudo adicional após o início da comercialização.

Vantagem do mRNA está na velocidade de produção

Vacinas contra a gripe precisam ser reformuladas todos os anos para acompanhar as variantes do vírus em circulação. Especialistas apontam que imunizantes de mRNA podem ser fabricados de forma mais rápida do que as opções convencionais, o que facilitaria uma resposta ágil caso o vírus sofra mutações relevantes em pouco tempo.

Os testes clínicos não identificaram problemas graves de segurança. As reações mais comuns foram temporárias — dor no local da aplicação, febre, dor de cabeça, cansaço e dores no corpo —, com frequência um pouco maior do que a registrada nas vacinas contra gripe já disponíveis.

Aprovação veio após bloqueio interno na FDA

O caminho até a liberação não foi direto. No início deste ano, um alto funcionário da FDA chegou a barrar o pedido da mFlusiva, em meio a um endurecimento da agência na análise de imunizantes sob o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr. A Moderna contestou a decisão publicamente, e a agência recuou dias depois.

Em junho, um painel independente de especialistas da FDA recomendou por unanimidade a aprovação da vacina, movimento que abriu caminho para a liberação anunciada nesta semana.

A promessa de atualização mais rápida não é exclusividade da gripe: no Brasil, a Anvisa já exigiu, em julho, que as vacinas de Covid-19 fossem reformuladas para cobrir variantes mais recentes — a mesma lógica de flexibilidade que agora torna o mRNA promissor também contra a influenza.

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