Pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa têm até 22 de fevereiro de 2027 para disputar R$ 21 milhões em projetos de software livre e protocolos abertos.
O edital foi lançado pela Fapesp com o MCTI, o Ministério das Comunicações e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). As submissões começam em 5 de novembro.
A aposta é em plataformas digitais abertas e interoperáveis, sobretudo arquiteturas federadas, como base para negócios e empreendimentos sociais.
Como os R$ 21 milhões serão divididos
O valor se divide em duas modalidades. A de Auxílio à Pesquisa Regular reúne R$ 6 milhões, para projetos de 2 a 3 anos com orçamento de até R$ 200 mil por ano.
A de Projeto Temático concentra R$ 15 milhões, com iniciativas de cinco anos e orçamento máximo de R$ 5 milhões.
Os projetos serão conduzidos por pesquisadores vinculados a instituições de ensino e pesquisa. Eles podem firmar parcerias com empresas, cooperativas, organizações de trabalhadores e comunidades interessadas.
Três linhas de pesquisa
As propostas precisam se encaixar em ao menos uma de três frentes: desenvolvimento e aprimoramento de softwares livres e plataformas descentralizadas; estudos de viabilidade econômica e modelos de negócio; e estudos de impacto socioambiental.
Entre os temas de interesse estão a usabilidade e a acessibilidade de plataformas abertas, a interoperabilidade entre sistemas, a governança comunitária e a avaliação dos impactos ambientais da infraestrutura tecnológica.
A chamada também abre espaço para pesquisas sobre modelos sustentáveis de geração de renda para pequenos empreendimentos e cooperativas, inclusão digital e econômica, geração de trabalho e tecnologias orientadas por valores sociais e ambientais.
Redes entre estados e setores contam pontos
Segundo a Fapesp, terão mais valor as propostas que reúnam pesquisadores de diferentes estados e formem redes entre academia, setor empresarial e terceiro setor. O objetivo é juntar produção de conhecimento científico, transferência de tecnologia e apoio à criação e consolidação de iniciativas empreendedoras.
A chamada surge em meio a um ajuste no financiamento da fundação, que em setembro restringiu as bolsas de estágio no exterior para graduação e mestrado, sob críticas de estudantes e entidades.
O dinheiro público para software nacional também chega por outros caminhos: em outubro, o BNDES aprovou R$ 25 milhões para a AltoQi desenvolver software de IA generativa para a construção civil.
Como participar
As propostas devem ser enviadas apenas pelo SAGe (Sistema de Apoio à Gestão), seguindo as normas da modalidade escolhida. A íntegra da chamada está disponível em fapesp.br/18444.