O BNDES aprovou um financiamento de R$ 25 milhões para a AltoQi, empresa de softwares de engenharia sediada em Florianópolis (SC), incorporar inteligência artificial generativa às ferramentas que o setor usa para projetar obras.
O dinheiro sai do programa BNDES Mais Inovação e será aplicado na atualização da plataforma da companhia, com foco em construções complexas — prédios altos e super altos.
Para onde vão os R$ 25 milhões
A operação custeia o trabalho de 68 profissionais, entre engenheiros de software, analistas de dados e desenvolvedores de sistemas, encarregados de entregar as novas funcionalidades da plataforma.
Há um diferencial competitivo embutido no escopo: o projeto prevê aderência às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ausentes nos softwares estrangeiros que disputam o mesmo mercado.
A aposta no BIM
A plataforma da AltoQi roda sobre a metodologia Building Information Modeling (BIM), que troca a prancheta por modelos digitais colaborativos — o que o setor chama de industrialização da construção. Cálculos feitos antes da primeira betoneira reduzem desperdício, elevam a produtividade e ajudam a manter orçamento e cronograma.
Pela projeção da consultoria Mordor Intelligence, o mercado mundial de software BIM deve mais do que dobrar de tamanho até 2031. A aposta em IA generativa acompanha um movimento mais amplo da indústria: levantamento do IBGE mostrou que o uso de inteligência artificial na indústria brasileira cresceu 163% entre 2022 e 2024.
Quem recebe o crédito
Registrada como S3eng – Tecnologia Aplicada a Engenharia, a AltoQi foi fundada em 1989 por engenheiros e cientistas da computação. Hoje concentra ferramentas de projeto, orçamento, planejamento e gestão digital de obras, com uma carteira pulverizada de mais de 60 mil clientes.
“A AltoQi é referência no desenvolvimento de soluções BIM adequadas às normas brasileiras e ao mercado nacional”, afirmou o presidente da empresa, Felipe Althoff, para quem o apoio público é estratégico para acelerar a transformação digital do setor.
A leitura do banco
Do lado do BNDES, o financiamento responde a uma corrida global. “Em todo o mundo, grandes desenvolvedores de softwares voltados para a construção civil estão anunciando investimentos em inteligência artificial”, declarou José Luís Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, ao destacar ferramentas que melhoram o planejamento e a gestão financeira e reduzem erros de projeto e execução.
O aporte repete um movimento recente da instituição: meses antes, o BNDES liberou R$ 279 milhões para projetos de inovação da Embraer, reforçando a estratégia de bancar tecnologia em setores considerados estratégicos.