Política

Exército capacita oficiais em Goiás para planejar o uso do sistema de mísseis Astros

Curso realizado entre setembro e outubro em Formosa incluiu visitas a empresas da Base Industrial de Defesa
Soldados do Exército em formação, simbolizando a capacitação de oficiais no sistema de mísseis Astros Exército

O Exército Brasileiro concluiu em 23 de outubro um curso que preparou oficiais superiores do Quadro de Estado-Maior para planejar o emprego do sistema de mísseis Astros, plataforma de artilharia de longo alcance desenvolvida no Brasil.

A formação ocorreu desde 21 de setembro em Formosa (GO), sob responsabilidade do Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes. Segundo o Exército, o objetivo é ampliar a capacidade da Força de empregar fogo de longo alcance com alta precisão.

O que os oficiais aprenderam

O conteúdo do Curso de Planejamento de Emprego do Sistema de Mísseis e Foguetes concentrou-se nas características, capacidades e possibilidades de uso do Astros. A Força justifica a formação pela complexidade do tema: planejar o emprego desse tipo de artilharia exige domínio técnico e operacional dos meios de apoio de fogo de longo alcance.

Os militares combinaram aulas teóricas com atividades voltadas à aplicação do sistema em diferentes cenários operacionais. A ideia, de acordo com o Exército, é que o aprendizado se reflita no planejamento militar das unidades em que esses oficiais atuam.

Contato com a indústria

Um diferencial da programação foram as visitas a empresas da Base Industrial de Defesa, o conjunto de companhias nacionais que produzem equipamentos e tecnologia para as Forças Armadas. Nas visitas, os oficiais conheceram tecnologias e capacidades produtivas ligadas ao setor.

Para o Exército, essa aproximação ajuda a entender como a indústria nacional se conecta aos meios militares e qual o seu papel na autonomia tecnológica e na capacidade de defesa do país.

Astros virou programa de fogos

O curso acontece meses depois de uma reorganização no portfólio de programas estratégicos do Exército. Uma portaria publicada em 4 de março de 2026 rebatizou o antigo Programa Astros como Astros – Fogos, que passou a reunir três subprogramas: Artilharia de Campanha de Tubo, Mísseis e Foguetes e Defesa Antiaérea.

A gestão cabe ao Escritório de Projetos do Exército, organização militar subordinada ao Estado-Maior. Com o novo formato, a Força pretende concentrar as principais iniciativas de artilharia em um mesmo guarda-chuva, integrar capacidades, otimizar a gestão e alinhar os projetos às diretrizes do Alto-Comando.

O programa também tem peso financeiro: o Astros está entre os projetos estratégicos contemplados no orçamento da Defesa para 2027, que reserva R$ 671 milhões ao sistema de mísseis de longo alcance.