O ex-ministro da Economia Paulo Guedes é alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O foco é sua atuação junto à OnilX, empresa de criptomoedas que, segundo investidores, dificulta o resgate de valores aplicados.
O caso foi revelado nesta quinta-feira (29) pelo site Metrópoles. A Gazeta do Povo diz ter confirmado a investigação com fontes que acompanham o caso. O inquérito tramita na 9ª Vara Federal de Curitiba.
O papel atribuído a Guedes na OnilX
Segundo a reportagem, Guedes teria prestado consultoria ao empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, participando de reuniões estratégicas e recebendo potenciais investidores. A empresa atraiu centenas de pessoas, que aplicaram valores milionários com a promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês.
A imagem do ex-ministro também aparecia em materiais de divulgação da companhia, que o apresentava como apoiador do negócio. Em uma publicação da própria OnilX, ele surge ao lado de Lino e de executivos da operadora de cartões Visa, num encontro que a empresa descreveu como de “alta relevância estratégica”.
Guedes também falou em palestras para investidores e assessores do grupo. Em uma delas, para cerca de 500 pessoas, elogiou o empreendimento e destacou a importância da empresa para o desenvolvimento do mercado digital.
Restrições da CVM
A OnilX já enfrentava restrições da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em janeiro, a autarquia determinou a suspensão das ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo.
Em abril, a CVM manteve a decisão, mas esclareceu que a simples intermediação de criptomoedas como Bitcoin, Ethereum e USDT não estava vetada, desde que não houvesse promessa de rendimento nem contrato de investimento.
Investidores recorrem à Justiça
De acordo com a investigação, centenas de investidores podem ter tido prejuízo, principalmente na região Sul, e parte deles teria aplicado por recomendação de Guedes. A reportagem identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro.
Em um dos processos, um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa conta que manteve e ampliou os aportes depois de uma reunião com o ex-ministro na sede da companhia, em abril. Quatro meses depois, ao pedir o resgate, não conseguiu reaver o dinheiro.
Em outra ação, uma mensagem anexada aos autos mostra uma assessora da OnilX usando o nome de Guedes para atrair um cliente. Ela dizia que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e oferecia uma reunião com ele a quem tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para investir.
O que dizem os envolvidos
Nos processos, a OnilX nega as acusações e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. Guedes e Lino têm os mesmos advogados. A defesa dos dois foi procurada e ainda não tinha se manifestado.
Os registros processuais do inquérito apontam diligências, expedição de intimações e movimentações envolvendo o empresário, a PF e o Ministério Público Federal.