O jornalista e escritor Ruy Castro ganhou pela segunda vez seguida o Livro do Ano, principal categoria do Prêmio Jabuti, com Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras.
A cerimônia da 68ª edição ocorreu na noite de terça-feira (27), na Sala São Paulo. Castro não compareceu por questões de saúde, segundo anúncio feito durante o evento.
A obra, que também venceu em Biografia e Reportagem, reconstitui o Rio de Janeiro entre 1935 e 1945 e mostra como a guerra na Europa repercutiu no cotidiano carioca.
Bicampeonato e trajetória
No ano passado, Castro havia levado a mesma categoria com O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim, coletânea de textos sobre o compositor. Agora, venceu com um livro que combina pesquisa histórica e narrativa da vida na cidade.
Nascido em 1948, em Caratinga (MG), ele começou como repórter em 1967 e passou a se dedicar aos livros a partir de 1990. É conhecido pelas biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda e por reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio dos anos 1920.
Promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Jabuti premiou vencedores em 23 categorias, além do Livro do Ano, distribuídas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.
Romance Literário vai para Eliana Alves Cruz
Na categoria Romance Literário, uma das mais tradicionais, a vencedora foi Eliana Alves Cruz, com Meridiana, também da Companhia das Letras. O livro trata de ascensão social e pertencimento a partir da perspectiva de uma família negra.
“Muito simbólico, muito significativo de uma trajetória que eu acho que é de muita gente”, disse a escritora em entrevista à Agência Brasil. Para ela, o romance reflete um Brasil com uma nova classe média que busca seu lugar: “Nem são de onde vieram, nem são necessariamente do lugar para onde vão”.
Leitura nas redes e homenagem a Lygia Bojunga
A edição estreou a categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital, voltada a criadores de conteúdo que estimulam a leitura nas plataformas digitais. Segundo a CBL, foram 402 indicações válidas. O vencedor foi Pedro Pacífico, do perfil Bookster, que recebeu a estatueta do jogador Gustavo Scarpa, também conhecido por compartilhar leituras nas redes.
Nas outras 22 categorias, o prêmio recebeu 4.675 inscrições. Além da estatueta, cada vencedor leva R$ 5 mil. Duas semanas antes da cerimônia, a CBL já havia divulgado os finalistas e aberto a disputa do Livro do Ano a estreantes em poesia e romance.
A Personalidade Literária desta edição foi Lygia Bojunga, nascida em Pelotas (RS), em 1932. A homenagem coincide com os 50 anos de A Bolsa Amarela. Autora de Os Colegas, Angélica e Corda Bamba, ela enviou uma carta escrita à mão: “Que belo incentivo este!”. A psicanalista e escritora Ninfa Parreiras a representou na cerimônia.