Cultura

A Margem do Rio e Elza levam os principais Troféus Redentor do Festival do Rio

Isabel Teixeira e Grace Passô empataram em melhor atriz; edição reuniu mais de 150 mil pessoas no Rio
Isabel Teixeira exibe o troféu Redentor, uma das vencedores do Festival do Rio 2026

O cinema brasileiro dominou a noite de encerramento do Festival do Rio, que anunciou seus vencedores de 2026: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, levou o Troféu Redentor de melhor ficção; Elza, de Eryk Rocha, o de melhor documentário.

A cerimônia foi no Cine Odeon, no centro da cidade, depois de dez dias de sessões em diferentes regiões do Rio. A organização contabilizou mais de 150 mil pessoas nesta edição.

O prêmio de melhor atriz saiu dividido: o júri aplicou a fórmula ex aequo, usada quando há empate, e premiou Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês — duas atrizes com longa estrada no teatro.

Entre os atores, venceu Victor di Marco, por London, filme que estreou mundialmente no Festival de Veneza, em setembro, antes de chegar ao Rio. Ator, roteirista e diretor, ele transformou o agradecimento em discurso sobre capacitismo no audiovisual: “Eu sou um ator com deficiência e falo isso com muito orgulho”, declarou.

Di Marco contou que ouviu, no início da trajetória, que não poderia atuar por não ter o chamado “corpo de ator”, e que a recusa o levou a criar um método próprio. “Eu desenvolvi uma técnica minha, porque a deficiência pode ser uma inteligência”, afirmou. Dedicou o troféu à avó, que assistia novelas com ele e o incentivava a repetir as cenas.

Quem mais levou troféu

Gabriel Martins ficou com melhor direção de ficção e melhor roteiro por Vicentina Pede Desculpas, e Camila Valença com a direção de documentário por Cão Sem Plumas. Pedro Goifman foi o melhor ator coadjuvante, por A Professora de Francês, enquanto Renna Costa, Artia e Ísis Broken dividiram o coadjuvante feminino por A Margem do Rio, também reconhecido nas categorias técnicas de fotografia e som.

Oito anos de filmagem ao lado de Elza Soares

Filho do cineasta Glauber Rocha, Eryk Rocha estreou Elza mundialmente no próprio festival. Em entrevista à Agência Brasil após a cerimônia, disse que o documentário atravessou anos de trabalho, incluindo oito anos de filmagens com a cantora.

“Eu tô muito, muito emocionado, porque foi a estreia mundial do filme. Ele nasceu aqui, no Rio, na cidade da Elza, na minha cidade”, afirmou o diretor. Segundo ele, o longa costura memórias, música e imagens de arquivo — inclusive de produções latino-americanas — para aproximar a trajetória da artista da história do país: “É um filme que fala sobre a mulher brasileira, a mulher negra brasileira, fala sobre o Brasil, sobre a luta”.

Nos discursos, realizadores voltaram ao tema das condições de formação e de financiamento necessárias para que um filme brasileiro chegue às telas.

O público escolheu outros favoritos

No voto popular, Vicentina Pede Desculpas foi eleito melhor longa de ficção e Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo, melhor documentário. O balanço da organização aponta 101 filmes brasileiros exibidos, entre longas e curtas, 45 deles nas mostras competitivas oficiais.